Programa em escolas públicas aposta na empatia como ferramenta para o combate ao bullying
Com protagonismo juvenil e uso da arte, projeto mostra como trabalhar respeito às diferenças no dia a dia escolar
O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado em 7 de abril, volta a colocar em pauta um desafio presente na rotina de comunidades escolares em todo o país: como lidar com conflitos entre estudantes e promover um ambiente escolar mais seguro e acolhedor. Nos últimos meses, o tema tem ganhado ainda mais relevância diante do aumento de situações de violência envolvendo jovens, dentro e fora das escolas.
Dados recentes do IBGE mostram que mais de 1,5 milhão de estudantes brasileiros deixaram de ir à escola por medo da violência, enquanto o bullying segue como uma prática disseminada, atingindo 27,2% dos alunos com relatos de agressões recorrentes no ambiente escolar, um avanço em relação aos 23% registrados em 2019. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar medidas disciplinares e investir em abordagens que atuem na formação dos estudantes, especialmente no desenvolvimento de habilidades como empatia, escuta e respeito às diferenças.
É nesse contexto que iniciativas como o Programa Escolaí, da Fundação Otacílio Coser, ganham relevância. Com mais de 20 anos de atuação apoiando escolas públicas no desenvolvimento do projeto de vida dos jovens, a ação incentiva que os próprios estudantes participem da construção de soluções para desafios vividos no ambiente escolar, criando espaços de diálogo, convivência e respeito.
“Quando falamos de bullying, estamos falando de convivência, respeito e limites. A escola tem um papel central em ajudar os jovens a lidar com as diferenças e construir relações mais respeitosas no dia a dia”, afirma Ana Flavia de Sá, superintendente da Fundação Otacílio Coser, instituição sem fins lucrativos dedicada a ampliar o acesso das juventudes a oportunidades.
Uma das estratégias que vêm ganhando espaço dentro das atividades do Escolaí é o uso da arte como ferramenta lúdica para o fortalecimento da empatia e da melhora no clima escolar. Atividades como teatro permitem que os estudantes representem situações do cotidiano escolar, expressem sentimentos e experimentem diferentes perspectivas, tornando o aprendizado mais concreto.
Na prática, essa abordagem foi comprovada na Escola Estadual Desembargador Edgard de Moura Bittencourt, Carapicuíba (SP), onde alunos, professores e famílias se mobilizaram para criar uma peça teatral com foco no combate ao bullying. Inspirada em “Alice no País das Maravilhas”, a história aborda temas como intolerância, convivência e respeito às diferenças, a partir de situações próximas à realidade dos estudantes.
“O teatro ajuda a transformar situações do dia a dia em aprendizado. Quando o aluno se vê naquela história, ele entende melhor o impacto das próprias atitudes e percebe que pode ter um papel mais ativo na promoção de um ambiente escolar mais saudável”, explica Ana Flávia.
O processo envolveu desde a criação do roteiro até a produção, mobilizando toda a comunidade escolar. Ao longo da atividade, os alunos puderam discutir conflitos reais e pensar coletivamente em formas de lidar com eles, o que fortaleceu o senso de pertencimento e colaboração.
“Quando a escola cria espaço para o diálogo, o desenvolvimento de talentos e o protagonismo dos estudantes, ela amplia o vínculo do jovem com toda a comunidade educativa, previne a evasão e incentiva o seu desenvolvimento global", completa a superintendente.
Sobre a Fundação Otacílio Coser
A Fundação Otacílio Coser é uma instituição sem fins lucrativos que atua para gerar conexões e oportunidades para as juventudes em situação de vulnerabilidade social, desde a educação básica até o mundo do trabalho. Com origem no Espírito Santo e atuação em território nacional, há 26 anos a Fundação realiza programas que beneficiam diretamente as juventudes. Suas ações incluem iniciativas de formação inovadoras, parcerias com escolas públicas, empresas e organizações da sociedade civil para promover o desenvolvimento de jovens, a inclusão e a igualdade de oportunidades.