Carro usado subiu 83% desde 2020; alta supera os zero-quilômetro
Dados do novo índice IBV Auto mostram que inflação dos usados superou a dos novos em 30 pontos percentuais; Renault Clio lidera valorização.
O mercado de automóveis no Brasil vive uma inversão histórica de valores. Segundo o novo indicador IBV Auto, desenvolvido pelo banco BV, o preço dos carros usados disparou 83% entre 2020 e 2025. O aumento é drasticamente superior ao dos veículos zero-quilômetro, que encareceram 51,5% no mesmo período — uma diferença de mais de 30 pontos percentuais.
A explosão de preços nos usados foi desencadeada pela crise de componentes na pandemia, mas consolidou-se devido à perda de poder de compra das famílias. Com os carros novos atingindo patamares proibitivos, o consumidor migrou em massa para os seminovos. Em 2025, o Brasil comercializou quase 18 milhões de usados, contra apenas 2,5 milhões de novos.
Valorização por Modelos: Populares no Topo
O índice revela que a alta não foi uniforme. Modelos de entrada e mais antigos tiveram as maiores valorizações, por serem a porta de entrada para quem foge do transporte público ou precisa trabalhar:
Renault Clio: +57,8%
Renault Logan: +49,9%
Ford Focus: +44,9%
Inversamente, alguns SUVs que tiveram lançamentos com preços elevados apresentaram queda, como o VW T-Cross (-5,4%) e o VW Nivus (-3,5%), sinalizando uma acomodação de mercado para modelos de maior valor agregado.
Inteligência de Dados com o IBV Auto
O IBV Auto utiliza a base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, para mapear transações reais. O índice monitora mensalmente a depreciação por região e tipo de propulsão (combustão, híbrido e elétrico). "Estruturar esses dados é vital para gerar valor e segurança nas decisões de crédito e compra", afirma Roque Pellizzaro Jr., do SPC Brasil, parceiro estratégico na análise de crédito.
O banco BV, que também é pioneiro na neutralização de CO2 dos veículos que financia, reforça com este índice o compromisso de oferecer transparência a um mercado que movimenta bilhões e impacta diretamente a mobilidade do brasileiro em 2026.

