Tem Wi-Fi no espaço? Entenda como a Nasa transmite imagens da missão Artemis II
Com tecnologia de comunicação óptica, Nasa envia vídeos e fotos em alta resolução diretamente da missão Artemis II para a Terra
Desde o início da missão Artemis II, na última quarta-feira (1º), astronautas têm enviado vídeos e fotos para as equipes da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (Nasa) na Terra. Mas como esse compartilhamento de conteúdo é possível a centenas de milhares de quilômetros de distância?
Durante mais de meio século, as missões espaciais utilizaram comunicações por radiofrequência para enviar e receber dados do espaço. No entanto, o volume de informações transmitidas aumentou significativamente ao longo dos anos, exigindo sistemas cada vez mais rápidos e eficientes.
Desde 2021, a Nasa passou a testar a comunicação a laser, também chamada de comunicação óptica, capaz de ser até 100 vezes mais rápida do que a tradicional radiofrequência. Esse sistema utiliza transceptores ópticos — dispositivos que enviam e recebem dados por meio da luz — tanto em solo quanto no espaço.
Para a agência, a adoção da comunicação a laser nas espaçonaves representa uma revolução comparável à transição da conexão discada para a fibra ótica na internet doméstica, proporcionando maior velocidade e qualidade na transmissão de dados.
Apesar dos avanços, perturbações atmosféricas, como nuvens e turbulências, ainda representam desafios, podendo interromper os sinais de laser ao entrarem na atmosfera terrestre. Para minimizar esses problemas, a Nasa instalou estações terrestres ópticas em locais remotos e de alta altitude, como no Havaí, na Califórnia e no Novo México, onde as condições climáticas são mais favoráveis.
No caso da Artemis II, o envio de vídeos e fotos em alta resolução é possível graças ao Sistema de Comunicações Ópticas Orion Artemis II, conhecido como O2O. O projeto é financiado pelo Programa de Comunicações e Navegação Espacial (SCaN) e executado pela divisão de projetos de Exploração e Comunicações Espaciais (ESC).
Além das imagens, o O2O também transmite dados científicos, procedimentos, planos de voo e comunicações entre a nave Orion e os centros de controle da Nasa, atingindo taxas de até 260 megabits por segundo. Testar a utilidade operacional do O2O em missões tripuladas é, inclusive, um dos objetivos principais da Artemis II.