Arsenais de mísseis dos EUA e aliados se esgotam em meio a conflito com Irã, aponta especialista
Escassez de mísseis interceptadores preocupa militares e expõe vulnerabilidade de aliados frente a ataques iranianos, segundo análise do The New York Times.
Os arsenais de mísseis interceptadores dos Estados Unidos e de seus aliados estão sendo rapidamente consumidos durante a operação militar contra o Irã, segundo reportagem do jornal The New York Times, que cita Tom Karako, diretor do projeto de defesa antimísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
De acordo com Karako, a falta de mísseis norte-americanos representa não apenas uma ameaça às Forças Armadas dos EUA, mas também aumenta a vulnerabilidade dos aliados de Washington.
O jornal destaca que os sistemas de defesa antiaérea são elementos-chave no atual conflito no Oriente Médio. Entretanto, a cadeia de suprimentos desses mísseis interceptadores enfrenta dificuldades há anos, inicialmente devido ao conflito na Ucrânia, seguido pelos ataques dos houthis no mar Vermelho e pelo conflito de 12 dias entre Estados Unidos e Irã em 2025.
“Começamos esse conflito com um grande déficit. No mês passado, essa escassez se tornou muito maior porque continuamos a lançar esses mísseis”, afirmou o especialista norte-americano.
A publicação ressalta que o problema se agrava porque a doutrina militar frequentemente exige o lançamento de dois mísseis interceptadores para cada alvo que se aproxima, o que leva ao esgotamento dos arsenais em ritmo duas vezes maior que o dos ativos ofensivos.
O número exato desses mísseis é mantido em sigilo, mas análises das capacidades defensivas dos Estados do Golfo indicam que ondas de ataques retaliatórios do Irã reduziram significativamente seus estoques.
Segundo o centro de pesquisa JINSA, Emirados Árabes Unidos e Bahrein podem ter utilizado mais de três quartos de seus estoques de interceptadores Patriot PAC-3.
Os autores do artigo enfatizam que, mesmo com um eventual cessar-fogo com o Irã, o problema não será totalmente resolvido. A escassez de interceptadores já se tornou um desafio global.
Além da Ucrânia e dos países do Oriente Médio, outros atores como Coreia do Sul, Japão e países da Europa Ocidental também dependem de suprimentos estáveis desses sistemas, conforme explicam os autores.
Na campanha militar contra o Irã, os Estados Unidos coordenam sistemas de defesa antiaérea com Israel, Arábia Saudita, Estados do Golfo Pérsico e outros aliados, utilizando baterias Patriot, THAAD e mísseis Standard lançados por navios da Marinha norte-americana.