Brasil registra média de 15 estupros coletivos por dia nos últimos quatro anos
Especialista Luciana Temer aponta caminhos para reduzir casos de estupro coletivo
O recente caso de estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, gerou grande comoção nacional, mas infelizmente não representa uma exceção. Dados do Ministério da Saúde mostram que esse tipo de violência é mais recorrente do que se imagina no Brasil, atingindo principalmente menores de idade.
Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre 2022 e 2025 foram registrados 22.800 casos de estupro coletivo no país, o que equivale a uma média de 15 ocorrências por dia. Desse total, 8,4 mil vítimas eram mulheres adultas e 14,4 mil eram crianças ou adolescentes do sexo feminino. Os números podem ser ainda maiores, já que contemplam apenas os casos em que as vítimas buscaram atendimento no sistema de saúde.
Em entrevista à Rádio Eldorado, a professora de Direito Constitucional da PUC-SP Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta, destacou que a regulamentação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) pode ser uma ferramenta importante no combate a esse tipo de violência, principalmente porque muitas crianças e adolescentes são aliciados por meio dos algoritmos das plataformas digitais.
Além disso, Luciana Temer defende a necessidade de investir na educação de meninos e meninas sobre temas que hoje são facilmente acessados por meio de redes sociais e sites pornográficos, como forma de prevenção e conscientização.