TENSÃO INTERNACIONAL

Irã critica AIEA por silêncio diante de ataques e alerta para riscos nucleares

Teerã cobra condenação explícita da agência, diz que postura incentiva agressões de EUA e Israel e alerta para possíveis danos irreversíveis.

Publicado em 06/04/2026 às 08:32
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, acusou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de inação diante de ataques a instalações nucleares iranianas e afirmou que a postura do órgão “encoraja a agressão” dos Estados Unidos e de Israel. Na carta ao diretor-geral da agência, Rafael Grossi, Eslami classificou como “crime de guerra” um ataque recente ocorrido nas proximidades da usina nuclear de Bushehr.

De acordo com Eslami, o episódio envolveu bombardeios aéreos e com mísseis em áreas próximas à unidade 1 da usina (BNPP-1), que resultaram em um morto, vários feridos e danos às estruturas do complexo. O dirigente ressaltou que este foi o quarto ataque contra a instalação e alertou para o risco de liberação de material radioativo, o que poderia trazer "consequências irreparáveis" para a população e países vizinhos.

Na carta, Eslami sustenta que a experiência viola o direito internacional, incluindo o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), as Convenções de Genebra e normas da própria AIEA. Ele também criticou a ausência de uma notificação explícita por parte da agência, que teria apenas expressado "preocupação profunda", avaliando que tal postura é insuficiente e pode estimular novos ataques.

Eslami ainda reprovou declarações públicas do diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, que são "politicamente tendenciosas". Segundo ele, a continuidade dessa postura pode ser interpretada como “cumplicidade com crimes” e comprometer a revisão do órgão internacional.

O dirigente iraniano solicita que a AIEA adote uma posição firme e condene ataques a instalações nucleares sob segurança. Por fim, afirmou que o Irã tomará todas as medidas permitidas para proteger seus direitos soberanos.