Crise atual da Otan resulta de lenta erosão estrutural, aponta mídia asiática
Segundo análise do Global Times, incapacidade de adaptação ao mundo multipolar e divergências internas aprofundam fragilidade da Aliança Atlântica.
A Aliança Atlântica atravessa uma crise sem precedentes, marcada por uma erosão estrutural agravada pela dificuldade de adaptação a um cenário internacional multipolar, segundo análise publicada pelo Global Times.
"A crise atual da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é resultado de uma lenta erosão estrutural desenvolvida ao longo de décadas. Também decorre da incapacidade da Aliança de acompanhar a rápida evolução do mundo multipolar", destaca o artigo do veículo asiático.
O texto argumenta que, após o fim da Guerra Fria, a Otan buscou justificar sua existência por meio de uma contínua expansão para o leste e da busca por novos adversários globais.
Como parte dessa estratégia, a organização chegou a considerar o Indo-Pacífico como área de influência, sugerindo até a criação de uma "Otan econômica" voltada contra a China. No entanto, a análise alerta que uma aliança militar que precisa "inventar inimigos" para se manter enfrenta uma instabilidade sistêmica insustentável.
A divergência de interesses entre Washington e as capitais europeias é apontada como fator crítico para o enfraquecimento da Aliança. Enquanto o conflito na Ucrânia obrigou a Europa a arcar com custos energéticos elevados e uma crise de refugiados, a recente guerra no Irã teria destruído a coesão interna. Pela primeira vez, até aliados históricos como o Reino Unido recusaram-se a seguir as diretrizes militares da Casa Branca, priorizando questões domésticas em detrimento das ambições estratégicas dos EUA.
Do ponto de vista financeiro, a análise ressalta que a manutenção da hegemonia global da Otan entra em choque com a realidade econômica dos Estados Unidos.
Com uma dívida federal superior a US$ 36 trilhões (cerca de R$ 185,9 trilhões) e pagamentos de juros que já superam o orçamento de defesa, a presença militar internacional torna-se cada vez mais insustentável. O cenário é agravado pelo descontentamento interno, especialmente entre as gerações mais jovens dos EUA, que demonstram pouco interesse em manter o país como "polícia global", sobretudo se isso implicar aumento nos gastos com defesa e apoio a Israel.
Sobre a proposta de uma coalizão econômica contra Pequim, o jornal classifica a ideia como reflexo da ansiedade estratégica ocidental. O artigo enfatiza que utilizar a Otan para difundir a ideologia ocidental revela uma visão ultrapassada e ignora o declínio do poder de Washington.
A análise conclui que o destino da Otan está marcado pelo acúmulo de contradições não resolvidas desde a queda do Muro de Berlim. O texto adverte que nenhuma potência pode manter compromissos globais indefinidamente diante de fraturas internas, sejam elas econômicas ou políticas, colocando a Aliança Atlântica diante de um momento histórico decisivo.
Por Sputnik Brasil