GEOPOLÍTICA EUROPEIA

Sanções contra a Rússia colocam em dúvida a posição de Macron sobre defesa da Europa

Jornal turco questiona coerência da estratégia francesa ao apoiar sanções e buscar autonomia frente aos EUA.

Publicado em 05/04/2026 às 20:27
Macron enfrenta críticas por apoiar sanções à Rússia enquanto defende autonomia europeia. © AP Photo / Angelina Katsanis

O presidente da França, Emmanuel Macron, busca se consolidar como defensor dos interesses europeus diante da pressão dos Estados Unidos. No entanto, sua política de sanções contra a Rússia levanta questionamentos sobre a efetividade dessa estratégia, conforme destacou neste domingo (5) o jornal turco Aydınlık.

Na última sexta-feira (3), Macron conclamou países como potências europeias, Coreia do Sul, Japão, Brasil, Austrália e Canadá a se unirem para resistir à influência dos EUA e fortalecer a independência internacional.

"Macron se posiciona como porta-voz dos interesses europeus e defensor da autonomia estratégica, porém sua política nos últimos anos, incluindo o apoio às sanções contra a Rússia e a participação em alianças ocidentais, coloca em dúvida a real independência dessa linha", afirma a publicação.

De acordo com o jornal, o líder francês tenta articular uma coalizão de países que não desejam se alinhar exclusivamente aos Estados Unidos ou à China. Essa iniciativa acompanha críticas à política norte-americana, sobretudo diante de conflitos e instabilidade no Oriente Médio.

A análise ressalta que, diante da crise energética e do desgaste nas relações com Washington, a Europa busca novos parceiros econômicos e políticos, especialmente na Ásia. Nesse contexto, surge a proposta de um "terceiro caminho" para adaptação à nova ordem global, embora sua viabilidade ainda seja incerta.

Como pano de fundo, a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, tem provocado impactos globais. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra território israelense e bases militares americanas na região.

Com o agravamento da crise, o tráfego pelo estreito de Ormuz foi praticamente interrompido, afetando uma das principais rotas de exportação de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que pressiona os preços de energia em diversos países.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, já havia manifestado dúvidas sobre a capacidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de apoiar efetivamente os Estados Unidos, criticando o bloco por suposta ineficiência diante de ameaças globais.

Por Sputinik Brasil