Ameaças de Trump ao Irã podem configurar crimes de guerra, aponta imprensa dos EUA
Declarações do presidente norte-americano sobre ataques a infraestrutura civil iraniana geram alertas de especialistas e reações do governo de Teerã.
As recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar infraestrutura civil iraniana, como pontes, usinas de energia e instalações industriais, podem configurar crimes de guerra. A avaliação foi publicada neste domingo (5) pelo jornal The New York Times.
Segundo a reportagem, essas estruturas "são a base da vida civil no Irã" e sua destruição provocaria sofrimento generalizado à população, podendo ser enquadrada como crime de guerra segundo o direito internacional. O jornal destaca ainda que Trump afirmou ser capaz de levar o país "de volta à Idade da Pedra" caso Teerã não faça concessões.
Em postagens recentes, Trump indicou explicitamente possíveis alvos caso o Irã não aceite as condições impostas pelos Estados Unidos, como a reabertura do estreito de Ormuz. "Terça-feira será o dia das usinas de energia e das pontes", declarou nas redes sociais, sugerindo uma possível escalada dos ataques.
Especialistas consultados pelo The New York Times ressaltam que ataques deliberados contra infraestrutura civil violam acordos internacionais, como as Convenções de Genebra e a Carta das Nações Unidas. O jornal lembra que, historicamente, presidentes norte-americanos evitavam declarações públicas que sugerissem intenção de descumprir essas normas.
A publicação observa que esse tipo de retórica pode fortalecer a narrativa do governo iraniano e enfraquecer regras internacionais criadas para proteger civis em conflitos armados.
"A destruição de infraestrutura e o aumento de vítimas civis reforçam a narrativa de que esta é uma guerra contra a nação, não apenas contra seus governantes", destaca o jornal.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as ameaças dos Estados Unidos de atacar instalações energéticas iranianas representam uma "admissão de crimes de guerra".
"O ministro das Relações Exteriores do Irã, ao mencionar as ameaças dos EUA de atacar instalações energéticas iranianas, classificou essas declarações como uma clara admissão de cometimento de crimes de guerra", afirma comunicado divulgado pelo Itamaraty iraniano após conversa telefônica entre Araghchi e o chanceler russo, Sergei Lavrov.
O ministro iraniano também pediu que o Conselho de Segurança da ONU e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenem imediatamente os ataques dos EUA a instalações iranianas. Segundo Teerã, Washington tem atingido infraestrutura industrial, energética, educacional, médica e nuclear do país desde o início da operação militar.
Por Sputnik Brasil