OPEP+ amplia produção de petróleo em meio à guerra no Oriente Médio e riscos ao fornecimento global
Decisão do grupo ocorre diante da escalada dos conflitos e busca estabilizar o mercado energético internacional.
Diante da intensificação do conflito no Oriente Médio e dos impactos diretos sobre o mercado energético internacional, a OPEP+ decidiu ampliar a produção de petróleo para tentar conter a volatilidade global.
Em reunião virtual realizada neste domingo (5), oito países integrantes do grupo — Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Argélia, Cazaquistão, Kuwait e Omã — concordaram em elevar o limite de produção em 206 mil barris por dia a partir de maio, em comparação aos níveis de abril.
De acordo com comunicado oficial, a medida faz parte de um esforço conjunto para preservar o equilíbrio do mercado. Os países ressaltaram que a decisão reflete o compromisso de "manter a estabilidade no mercado petrolífero", especialmente diante de um cenário pressionado por fatores geopolíticos.
O aumento será distribuído proporcionalmente entre os membros do grupo. A Rússia, por exemplo, poderá elevar sua produção em cerca de 62 mil barris por dia, alcançando aproximadamente 9,699 milhões de barris diários. Outros países, como Cazaquistão, Argélia e os principais produtores do Golfo, também terão aumentos proporcionais.
A decisão ocorre em meio a uma crescente instabilidade regional. Desde o início dos ataques de forças dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, o fluxo de energia na região foi significativamente afetado, com redução no transporte de petróleo bruto e derivados.
Durante o encontro, os países da OPEP+ expressaram preocupação com os ataques a infraestruturas energéticas e os efeitos prolongados sobre a oferta global. Segundo o grupo, "danos a ativos energéticos são custosos e levam tempo para serem totalmente restaurados", o que pode comprometer o abastecimento no médio prazo.
Os membros também enfatizaram a necessidade de proteger rotas marítimas estratégicas, consideradas essenciais para garantir o fluxo contínuo de energia no comércio internacional. Países exportadores como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Omã estão entre os mais impactados pelo bloqueio do estreito de Ormuz, promovido pelo Irã.
Uma nova reunião do grupo está prevista para o dia 3 de maio, quando as condições do mercado serão reavaliadas e eventuais ajustes adicionais na produção poderão ser discutidos.
Por Sputnik Brasil