Guerra no Oriente Médio pode desencadear nova Grande Depressão, alerta especialista
Professor Michael Hudson, da Universidade do Missouri, aponta bloqueio de petróleo e fertilizantes como fatores para crise econômica global sem precedentes
O agravamento do conflito no Oriente Médio pode levar o mundo à maior crise econômica desde a Grande Depressão, segundo o professor Michael Hudson, da Universidade do Missouri, em Kansas City. Em entrevista a um canal no YouTube, Hudson afirmou que os impactos já são inevitáveis.
De acordo com o especialista, mesmo que houvesse uma mudança radical na política externa dos Estados Unidos, os efeitos econômicos negativos não poderiam ser revertidos.
"Mesmo que, por algum milagre, os EUA declarassem: 'Estamos abandonando nossa política externa, não seremos mais uma potência imperial. Simplesmente nos tornaremos outro país, seguindo as regras da ONU', — […] o fato é que o fornecimento de petróleo foi bloqueado e as reservas de hélio provenientes do Oriente Médio foram destruídas. Não há novas fontes — o hélio já foi bloqueado", ressaltou Hudson.
Nesse cenário, o professor destacou que empresas ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos, que dependiam do fornecimento de hélio, reduziram drasticamente seu uso.
Hudson também alertou para a diminuição na produção global de fertilizantes, agravando o risco de uma crise alimentar.
Segundo ele, a catástrofe econômica iminente será a maior do século, impossível de ser evitada pelas atuais condições.
"Embora o Irã permita a exportação de petróleo pelo estreito de Ormuz, cobrando dois milhões de dólares por navio, não permite a exportação de fertilizantes. Dessa forma, o mundo está entrando na época de plantio sem fertilizantes suficientes", detalhou.
O analista concluiu que o planeta está prestes a enfrentar a crise econômica mais severa desde a década de 1930, e que evitá-la seria impossível diante do atual contexto.
O conflito militar envolvendo Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã teve início em 28 de fevereiro, com sucessivas trocas de ataques entre as partes.
Tel Aviv afirma que seu objetivo é impedir que Teerã desenvolva armas nucleares, enquanto Washington ameaça destruir o potencial militar iraniano e incentiva a população a depor o regime.
O Irã, por sua vez, declarou estar preparado para se defender e, até o momento, não vê sentido em retomar negociações.