TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã afirma ter capacidade de manter navios dos EUA e Israel fora do Estreito de Ormuz

Press TV cita fonte iraniana sobre bloqueio prolongado; estratégia visa pressionar Washington e impactar preços globais de energia

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/04/2026 às 21:12
Navios de guerra no Estreito de Ormuz: Irã ameaça bloquear passagem de EUA e Israel por anos. © AP Photo / Marinha dos EUA/Information Technician Second Class Ruskin Naval

O Irã tem capacidade para manter navios dos Estados Unidos e de Israel fora do Estreito de Ormuz por anos, informou nesta sexta-feira (3) a emissora iraniana Press TV, citando um funcionário do governo iraniano.

"O Irã tem a capacidade de manter essa situação por anos", afirmou a fonte, destacando que Teerã considera estratégico interromper as cadeias logísticas das forças norte-americanas na região, que dependem principalmente de rotas marítimas.

Em paralelo, avaliações da inteligência dos EUA apontam que a reabertura do estreito no curto prazo é improvável.

Assim, a manutenção do bloqueio permite ao Irã pressionar Washington, ao afetar diretamente os preços globais de energia e elevar o custo econômico do conflito. A estratégia também pode ser utilizada como instrumento para forçar negociações e acelerar o fim das hostilidades.

Relatórios ainda indicam que a continuidade das ações militares por parte dos Estados Unidos e de Israel pode, ao contrário do esperado, fortalecer a posição regional do Irã.

Anteriormente, a emissora Al Jazeera informou que Teerã pode adotar um sistema de classificação de países para acesso ao Estreito de Ormuz, dividindo-os entre hostis, neutros e aliados. Países considerados hostis não teriam permissão de passagem, enquanto nações neutras poderiam ser submetidas a taxas.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no território iraniano. Em resposta, Teerã tem conduzido ofensivas contra Israel e contra instalações militares americanas no Oriente Médio.

Desde então, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais para exportação de petróleo e gás natural liquefeito — foi drasticamente reduzido, contribuindo para a alta dos preços de energia em escala global.