Ataques russos deixam oito mortos enquanto Ucrânia propõe trégua de Páscoa
Bombardeios intensificam crise humanitária em meio à tentativa ucraniana de cessar-fogo durante feriado religioso
Pelo menos oito pessoas morreram em diferentes regiões da Ucrânia nesta sexta-feira, 3, após uma série de ataques russos que evidenciam uma mudança de estratégia de Moscou. Segundo autoridades locais, a Rússia passou a priorizar bombardeios diurnos e a atingir infraestrutura civil.
Os ataques ocorrem no momento em que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sinalizou disposição para uma trégua durante o feriado de Páscoa, celebrado em 12 de abril tanto na Ucrânia quanto na Rússia.
De acordo com o governo ucraniano, o Kremlin tem alterado suas táticas para ampliar o sofrimento da população, concentrando investidas em redes de abastecimento de água, sistemas logísticos — como ferrovias — e na rede elétrica.
Na região de Kiev, mísseis e drones atingiram as cidades de Bucha, Fastiv e Obukhiv, resultando em uma morte e diversos feridos. Outras vítimas foram registradas nas regiões de Sumy, Kherson e Kharkiv, onde bombardeios contra prédios residenciais e transporte público agravaram a crise humanitária.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que o disparo de quase 500 drones e mísseis de cruzeiro durante a noite representa uma resposta de Moscou às propostas de cessar-fogo.
A proposta de trégua foi encaminhada ao governo russo por meio de canais diplomáticos dos Estados Unidos. No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o governo de Vladimir Putin busca um acordo de paz definitivo, e não apenas pausas temporárias nos combates.
Apesar da escalada da violência, Zelensky avaliou que a situação está estabilizada e que o cenário é o mais favorável para Kiev nos últimos dez meses, com base em relatórios de inteligência locais e britânicos. Paralelamente, o Ministério da Defesa da Rússia relatou a interceptação de 192 drones ucranianos durante a noite em seu território e na Crimeia, além de ataques que atingiram áreas industriais na região de Leningrado.
O governo ucraniano reforçou o pedido por garantias de segurança e apoio de longo prazo junto a aliados como os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para enfrentar as pressões militares russas.
Com informações da Associated Press.