Líderes da França e Coreia do Sul anunciam cooperação para reabrir o Estreito de Ormuz
Macron e Lee Jae-myeung discutem ações conjuntas para estabilizar o Oriente Médio e garantir segurança energética global
O presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myeung, anunciaram nesta sexta-feira, 3, um compromisso de cooperação para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz e mitigar as incertezas econômicas globais decorrentes da guerra no Oriente Médio.
A cúpula realizada em Seul ocorreu em meio a críticas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a aliados europeus e asiáticos que não apoiaram a postura de Washington e Israel em relação ao Irã.
Durante o encontro, Macron destacou que França e Coreia do Sul podem desempenhar papel relevante na estabilização do Oriente Médio, especialmente diante do bloqueio de Teerã no Estreito de Ormuz, que tem causado volatilidade nos mercados globais de energia.
Os líderes, no entanto, não detalharam quais medidas práticas pretendem adotar para reabrir o estreito.
"Precisamos definir claramente, em nível internacional, as condições para um processo que alivie a crise e o conflito no Oriente Médio", afirmou Macron. "Precisamos garantir a reabertura do Estreito de Ormuz."
Cooperação ampliada
Lee informou que, além do tema do estreito, ambos concordaram em expandir a cooperação em tecnologia, energia e outros setores estratégicos. Autoridades sul-coreanas e francesas assinaram acordos para fortalecer cadeias de suprimento de combustível nuclear, investir conjuntamente em energia eólica offshore no sul da Coreia do Sul e promover colaboração no setor de minerais críticos.
A Coreia do Sul tem buscado ampliar a produção de reatores nucleares para enfrentar a crise energética, enquanto Lee defendeu uma transição mais ágil para energias renováveis, ressaltando a dependência do país de combustíveis fósseis importados, evidenciada pela guerra.
A visita de Macron à Ásia ocorre em um contexto de crescente insatisfação de Trump com aliados. Em discurso recente, Trump afirmou que os americanos "não precisam" do estreito, sugerindo que países dependentes da via marítima deveriam assumir sua proteção.
Em evento anterior na Casa Branca, durante a Páscoa, Trump também cobrou maior envolvimento de aliados asiáticos e da China na reabertura do Estreito de Ormuz.
"Deixem a Coreia do Sul, vocês sabem, nós só temos 45 mil soldados em perigo por lá, bem ao lado de uma força nuclear – deixem a Coreia do Sul fazer isso", disse Trump. "Deixem o Japão fazer isso. Eles obtêm 90% do seu petróleo do estreito. Deixem a China fazer isso."
Atualmente, os Estados Unidos mantêm cerca de 28 mil soldados na Coreia do Sul, e não 45 mil, como afirmou Trump. O contingente visa conter eventuais ameaças da Coreia do Norte.
Macron declarou que uma operação militar para reabrir o Estreito de Ormuz é "irrealista".
Autoridades sul-coreanas informaram que estão em diálogo com Washington e que Seul não considera pagar taxas de trânsito ao Irã para garantir o fluxo de combustível pelo estreito.
Com agências internacionais