Anistia Internacional alerta Irã sobre crime de guerra no recrutamento de crianças
ONG denuncia uso de menores pela Guarda Revolucionária e alerta para riscos em meio a ataques dos EUA e Israel
A Anistia Internacional alertou, nesta sexta-feira (3), o governo iraniano de que o recrutamento de crianças a partir de 12 anos para integrar a força voluntária Basij, da Guarda Revolucionária, constitui crime de guerra.
Segundo a organização, testemunhas oculares e análises próprias de vídeos confirmam que crianças-soldado foram mobilizadas para atuar em postos de controle e patrulhas, algumas delas portando armas, incluindo fuzis de assalto do tipo Kalashnikov.
“Com os ataques dos EUA e de Israel atingindo milhares de locais da Guarda, incluindo instalações da Basij em todo o país, por meio de drones contra patrulhas de segurança e postos de controle, a mobilização de crianças-soldado ao lado do pessoal da Guarda ou em suas instalações as coloca em grave risco de morte e ferimentos”, afirmou Erika Guevara-Rosas, representante da Anistia Internacional.
Luta contra os EUA
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou na quinta-feira (2) que 7 milhões de iranianos estariam prontos para combater uma eventual invasão terrestre dos Estados Unidos.
O número, cuja origem não foi esclarecida, foi divulgado uma semana após o início da campanha da Guarda Revolucionária para recrutar crianças e adolescentes.
De acordo com relatos de testemunhas à BBC, crianças armadas foram vistas desempenhando funções de segurança tanto na capital Teerã quanto em outras cidades do país.
A Guarda Revolucionária informou que o novo programa recebe o nome de “Combatentes Defensores da Pátria do Irã”.
Adolescentes observados por iranianos que conversaram com a BBC usavam máscaras e apontavam armas para carros civis durante inspeções de veículos. Essas patrulhas ocorrem à noite, com uso de alto-falantes e bandeiras da República Islâmica do Irã.
Com informações da Associated Press