Ibovespa encerra semana com alta de 3,58% e mantém maior patamar desde início do conflito no Oriente Médio
Petrobras e Vale sustentam índice, apesar de queda em bancos; petróleo volta a subir com tensões geopolíticas
O Ibovespa fechou a semana encurtada pelo feriado da Páscoa com valorização de 3,58%, encerrando aos 188.052,02 pontos. O índice registrou um ajuste marginalmente positivo de 0,05% nesta quinta-feira (2), marcando o quarto pregão consecutivo de alta e mantendo-se no maior nível desde 2 de março, quando teve início a guerra no Oriente Médio.
O desempenho das ações da Petrobras (ON +2,25%, PN +1,65%) e Vale (ON +0,66%) foi fundamental para segurar o Ibovespa, mesmo em um dia negativo para o setor financeiro – o de maior peso no índice –, com quedas de 1,21% em Itaú PN e de 1,49% em Bradesco PN.
Nos Estados Unidos, os principais índices tiveram variações discretas: Dow Jones (-0,13%), S&P 500 (+0,11%) e Nasdaq (+0,18%). No acumulado do ano, o Ibovespa avança 16,71% e, em abril, soma alta de 0,31% nas duas primeiras sessões. O volume financeiro da sessão foi de R$ 24,4 bilhões. Entre as maiores altas do dia estiveram Prio (+5,68%), Auren (+4,49%) e Brava (+3,28%). Entre as quedas, destaque para RD Saúde (-3,95%), Cyrela (ON -3,51%, PN -3,44%) e Yduqs (-2,58%).
O resultado semanal sucede a alta de 3,03% na semana anterior, que havia sido o primeiro desempenho positivo após quatro semanas consecutivas de queda, período marcado pelo agravamento do conflito entre EUA, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro.
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado reagiu mal ao pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de quarta-feira, especialmente pela ausência de menção a um cessar-fogo e pela perspectiva de intensificação do conflito nas próximas semanas.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, destaca que Trump foi enfático ao afirmar que pretende atacar instalações energéticas iranianas e garantir o controle do Estreito de Ormuz.
Diante desse cenário, o petróleo voltou a subir. Em Nova York e Londres, o barril do Brent para junho fechou em alta de 7,77% (US$ 7,87), cotado a US$ 109,03. Na semana, o Brent acumulou alta de 3,52% e o WTI, referência americana, saltou 18,4%.
Sem sinais de cessar-fogo, países do Golfo Pérsico e da Ásia avaliam alternativas para contornar o Estreito de Ormuz e manter as exportações de petróleo e gás, diante do bloqueio iraniano. Segundo o Financial Times, executivos da indústria afirmam que novos oleodutos podem ser a única solução para reduzir a vulnerabilidade da região, embora sejam projetos caros, politicamente complexos e de longo prazo.
O Termômetro Broadcast Bolsa aponta equilíbrio nas expectativas de curto prazo: 37,5% dos participantes projetam queda do Ibovespa na próxima semana, outros 37,5% esperam alta e 25% apostam em estabilidade – os mesmos percentuais do levantamento anterior.
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o Brasil segue bem posicionado devido ao fluxo estrangeiro e ao peso das commodities na bolsa. "Mesmo com ambiente externo instável, o mercado local mostra resiliência. No entanto, a pressão do petróleo sobre inflação e juros exige mais disciplina na alocação", avalia.
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