Diálogo comercial e minerais críticos ganham centralidade nas relações Brasil-EUA, diz Alckmin
O vice-presidente também defendeu que o Brasil beneficia os minerais críticos
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil busca ampliar o diálogo econômico com os Estados Unidos enquanto avança em políticas de reindustrialização, inovação e defesa do emprego nacional. As declarações foram dadas durante café com jornalistas realizados na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em Brasília.
Alckmin destacou a importância da recriação do MDIC, que houve incêndios, em um momento em que o país enfrentava um processo de desindustrialização considerado “precoce e preocupante”. Segundo ele, a retomada da política industrial busca recuperar a competitividade e elevar a produtividade da economia brasileira.
Entre as medidas previstas está a depreciação acelerada como instrumento de estímulo ao investimento produtivo, além da ampliação do crédito e do apoio à inovação. O governo destinou R$ 108 bilhões para pesquisa e inovação e trabalho para reduzir o tempo de análise de patentes e marcas, segundo ele. “Estávamos levando 7 anos para patentes de marcas, chegamos a 4 anos, e o objetivo é chegar para 2 anos”, destacou.
Diálogo com os Estados Unidos e os minerais críticos
Durante o encontro, Alckmin defendeu o diálogo em curso entre Brasil e Estados Unidos sobre minerais estratégicos, e também afirmou que o Brasil agrega valor à própria produção.
“O Brasil não pode ficar sentado no topo da fortuna”, disse Alckmin ao defender o beneficiamento dos minerais críticos em território nacional. “Tem que monetizar isso e agregar o máximo de valor”, afirmou.
“Esse é um tema de diálogo, sim, com os Estados Unidos”, acrescentou Alckmin.
O vice-presidente também comentou o cenário comercial internacional e as relações bilaterais com Washington, ressaltando que o momento global é marcado por maior protecionismo. Segundo ele, o Brasil precisa defender investimentos ao mesmo tempo em que mantenha abertura para produtos não produzidos internamente, cujas tarifas foram praticamente zeradas.
Alckmin afirmou ainda que os Estados Unidos são o destino das exportações brasileiras com maior valor agregado e defendem o fortalecimento do comércio bilateral. Para ele, “o caminho é o diálogo e o entendimento”, além da ampliação das oportunidades comerciais e do aproveitamento da complementaridade econômica entre os dois países.
Questionado sobre a possibilidade de ocorrer um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, respondeu: “Entendo que sim”.
Resposta às críticas dos EUA
Alckmin também respondeu às críticas recentes do governo de Donald Trump contra o Brasil envolvendo o Pix, regulação de big techs, etanol e tarifas comerciais. O vice-presidente afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro é um sucesso e defendeu esclarecimentos sobre o tema.
Ele ressaltou ainda que a questão do etanol foi “resolvida” e observou que os Estados Unidos mantêm déficit comercial, em meio ao tarifaço de Trump.
O governo brasileiro liberou cerca de R$ 15 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo chamado tarifaço norte-americano ou enquadradas na Seção 232 das medidas comerciais dos EUA, explicou Alckmin.
Biocombustível
Alckmin afirmou que o Brasil deverá assumir o protagonismo global na produção de combustível sustentável de aviação (SAF). Segundo ele, Brasil, Estados Unidos e Índia atuam conjuntamente na promoção dos biocombustíveis, especialmente a SAF.
O ministro destacou ainda que o biodiesel contribui para reduzir a importação de diesel, já que o componente bio é produzido a partir de óleos vegetais.
Ajuste fiscal “permanente”
Durante o café, o vice-presidente defendeu a necessidade de responsabilidade fiscal, mas rejeitou cortes que atingissem a população mais vulnerável.
“Tem espaço para ajuste em cima dos privilégios e do desperdício, não em cima da população mais pobre”, enfatizou. Alckmin comparou o ajuste fiscal a um cuidado contínuo, dizendo que ajuste fiscal é que nem cortar uma, um esforço permanente.
Outras agendas econômicas e industriais
O vice-presidente também abordou temas regulatórios e sociais, como proteção de crianças nas redes digitais e o diálogo com distribuidoras de energia, afirmando que “o caminho é o diálogo”, em meio à alta nos combustíveis.
Na área de defesa, destacou que o presidente Lula autorizou a liberação de R$ 5 bilhões por ano ao ministro José Múcio para modernização das Forças Armadas. Alckmin publicou ainda discussões sobre a chamada “taxa das blusinhas” e reiterou a necessidade de equilíbrio entre competitividade industrial e proteção do emprego nacional.
Ao comentar o futuro político e sua participação no governo, afirmou: “Fiquei honrado com o convite de integrar a chapa e vamos suar a camisa”. Sobre o processo eleitoral, acrescentou: "Não vejo disputa como mata-mata. Uma campanha é um ato de amor".
Por Sputinik Brasil