VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

PM de SP aposenta tenente-coronel preso por feminicídio

Oficial foi transferido para a reserva mesmo estando preso preventivamente pelo assassinato da esposa, também policial militar.

Publicado em 02/04/2026 às 13:20
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Alerta: O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e feminicídio. Se você ou alguém que você conhece está passando por esse tipo de situação, ligue 180 e denuncie.

A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) transferiu para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, que está preso preventivamente, acusado de feminicídio e fraude processual.

Réu tanto na Justiça Militar quanto na Justiça Comum, o oficial é apontado como principal suspeito do assassinato de sua esposa, a policial Gisele Alves Santana, ocorrido em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Ele nega o crime e alega que Gisele teria atentado contra a própria vida com um tiro na cabeça.

A transferência para a reserva foi publicada nesta quinta-feira, 2, no Diário Oficial do Estado. Segundo a portaria, Geraldo Neto terá direito à pensão proporcional à idade, com base no salário integral que recebeu.

No mês da morte de Gisele, fevereiro, o salário bruto do tenente-coronel foi de R$ 28.946,81, segundo o Portal da Transparência do Estado. O valor líquido recebido foi de R$ 15.092,39.

Já em março, a Corregedoria da Polícia Militar instaurou um processo de expulsão contra o oficial. Caso a expulsão seja confirmada, ele perderá definitivamente o salário e a patente.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o processo segue em análise, mesmo após a transferência do tenente-coronel para a reserva.

Em nota, a Polícia Militar reafirmou seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar.

Entenda o caso

Gisele Alves Santana foi morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde Vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Apenas o casal não estava no imóvel naquele momento.

Segundo relato do oficial à polícia, a esposa teria cometido suicídio após ele manifestar o desejo de se divorciar.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como morte de suspeitas após familiares da vítima relatarem que Gisele vivia uma relação abusiva, marcada por controle excessivo e ciúmes por parte do marido.

De acordo com a investigação, a versão apresentada pelo tenente-coronel não se sustenta. A perícia apontou diversos acusados ​​técnicos que reforçam as hipóteses de feminicídio, como marcas de um pescoço e no rosto de Gisele, manchas de sangue da vítima no banheiro e nas roupas de Geraldo Neto, além da forma como a arma foi encontrada na mão da vítima e a disposição do corpo, prejudicando a manipulação da cena do crime.

Outro elemento importante levantado pela polícia foi o histórico da relação do casal. A análise das mensagens trocadas entre os dois revelou um relacionamento marcado por brigas constantes, instabilidade e, principalmente, por controle, submissão e ciúmes impostos à vítima.

Para a polícia, as conversas contradizem a versão do tenente-coronel de que desejava o download. Na verdade, era Gisele quem manifestava interesse pela separação, enquanto Geraldo Neto resistia ao fim.

A Corregedoria da Polícia Militar também abriu investigação interna, e tanto a Justiça Militar quanto a Justiça Comum decretaram a prisão do oficial, que está detida desde 18 de março e aguarda julgamento.