POLÍTICA E ECONOMIA

Lula reitera anulação de leilão de GLP e defende reversão de privatizações

Presidente critica venda de gás liquefeito, promete rever operação e quer Petrobras de volta a ativos estratégicos

Publicado em 02/04/2026 às 12:36
Lula reitera anulação de leilão de GLP e defende reversão de privatizações Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), afirmando que a operação foi realizada sem o aval do governo federal e da direção da Petrobras. Segundo Lula, a medida será revista e não terá impacto duradouro sobre o preço do gás de cozinha. “Fizeram um leilão contra a vontade do governo e do presidente da Petrobras”, declarou nesta quinta-feira, 2.

Lula também afirmou estar “ansioso” para que o governo volte a adquirir uma distribuidora de gás, ressaltando o compromisso de evitar repasses de preços elevados ao consumidor final, especialmente diante da pressão internacional sobre os combustíveis.

O presidente manifestou ainda a intenção de reverter a privatização de ativos estratégicos no setor de energia. Ele defendeu que a Petrobras reassumisse o controle da refinaria da Bahia e criticou a permanência da BR Distribuidora sob gestão privada, alegando que a empresa tem repassado aumentos de preços não praticados pela estatal.

As declarações foram feitas durante evento de caráter eleitoral em Salvador (BA), que contou com a presença de lideranças petistas na região, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o senador Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues.

Durante o discurso, Lula reafirmou que o leilão será anulado e questionou o processo conduzido dentro do estatal, dizendo desconhecer o diretor responsável pela iniciativa. "O leilão do GLP será anulado. Foi feito por um diretor da Petrobras que eu desconheço", reforçou.

O leilão, realizado na véspera, negociou cerca de 70 mil toneladas de GLP, com ágios superiores a 100% em alguns polos, o que pode impulsionar o preço do botijão de 13 quilos no mercado interno.

Segundo informações apuradas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o maior aumento foi registrado no polo de Duque de Caxias (RJ), onde o gás de cozinha saltou de um preço mínimo de R$ 33,37 para R$ 72,77, representando um ágio de 117% sobre o valor de referência. No polo de Belém (PA), o ágio foi de 54,5%, com um lote de 3 mil toneladas arrematado por R$ 1.675, ante preço mínimo de R$ 935.