Otan vive crise de confiança e aliados se distanciam dos EUA, aponta especialista
Divergências sobre ações militares e pressão econômica dos Estados Unidos aumentam afastamento de países europeus dentro da aliança.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfrenta uma crise de confiança, impulsionada pelo afastamento de países europeus em relação à liderança dos Estados Unidos, segundo análise do comentarista político chinês Zhou Chengyang à Sputnik.
O especialista destacou que a recente recusa do Reino Unido, França e Espanha em ceder bases militares e espaço aéreo para operações norte-americanas evidencia as divergências em torno das hostilidades contra o Irã e contribui para o atual impasse entre os EUA e seus aliados.
“Embora os aliados da Otan não se oponham publicamente aos Estados Unidos em questões centrais, a exposição cada vez maior das contradições internas reflete que a aliança militar transatlântica passa por uma grave crise de confiança”, afirmou Chengyang.
Na avaliação do analista, as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, à relutância dos aliados em apoiar ações militares contra o Irã indicam que a Otan está migrando de um modelo de “defesa coletiva” para “relações transacionais”, com os Estados Unidos se afastando do bloco.
Zhou observa ainda que, ao pressionar os aliados a arcarem com a maior parte dos custos de defesa e impor tarifas e barreiras às exportações europeias, os EUA exercem pressão econômica e militar sobre a Europa.
O especialista acrescenta que tais ações fazem com que a Otan perca legitimidade enquanto “organização de segurança coletiva”. Além disso, ao pressionar a Europa, os próprios Estados Unidos acabam se tornando uma fonte de ameaça para os europeus.
Recentemente, Donald Trump questionou a capacidade da Otan de fornecer apoio real aos Estados Unidos, acusando a aliança de “má atitude” e ineficiência diante de ameaças globais.
Por Sputnik Brasil