ECONOMIA GLOBAL

FMI projeta crescimento de 2,4% para PIB dos EUA em 2026; inflação deve atingir meta apenas em 2027

Relatório do Fundo Monetário Internacional indica que economia americana mantém desempenho sólido, mas inflação só deve convergir para 2% no primeiro semestre de 2027.

Publicado em 02/04/2026 às 10:43
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a economia dos Estados Unidos registrou “bom desempenho” em 2025, com crescimento de 2%, impulsionado por forte produtividade, mesmo diante de mudanças relevantes na política econômica e de uma paralisação parcial do governo no final do ano.

Para 2026, o FMI projeta uma tração moderada do Produto Interno Bruto (PIB), que deve crescer 2,4% no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2027, a expectativa é de expansão próxima de 2,1%. A medida de inflação pelo índice de preços PCE — métrica preferida do Federal Reserve (Fed) — deve se manter em 2,8% em 2026, antes de desacelerar para 2% em 2027, atingindo o patamar da meta estabelecida pela autoridade monetária americana.

De acordo com o relatório, a trajetória de desinflação será favorecida pela dissipação dos efeitos das tarifas e pela previsão de queda nos preços do petróleo. Isso deve permitir que o núcleo do PCE retorne ao nível de 2% já no primeiro semestre de 2027. Ainda assim, o FMI ressalta que a inflação mostra resiliência no curto prazo.

O crescimento do emprego deve continuar desacelerando, em ritmo inferior ao observado antes da pandemia, refletindo fatores como a menor expansão da população em idade ativa. Apesar disso, a taxa de desemprego deverá permanecer nos próximos 4% nos próximos anos, segundo as projeções do Fundo.

Os riscos de curto prazo para o crescimento econômico e para o mercado de trabalho são considerados “amplamente equilibrados”. No entanto, o FMI alerta que a alta dos preços de energia representa um factor de pressão inflacionária. Os diretores também expressaram preocupação com o aumento das incertezas domésticas e globais, incluindo o conflito no Oriente Médio.

No âmbito fiscal, o FMI adota uma postura mais cautelosa: a dívida do governo geral dos EUA deve ultrapassar 140% do PIB até 2031, em razão de déficits persistentes. O Fundo também projeta que a taxa efetiva de tarifas de importação será estabilizada entre 7% e 8,5%, com a implementação de novas medidas tarifárias.

Quanto à política monetária, os diretores do FMI consideraram a execução dos cortes de juros promovidos pelo Fed em 2025, mas avaliaram que há pouco espaço para novas reduções em 2026, ainda devido às pressões inflacionárias presentes.