ECONOMIA & POLÍTICA

Lula anuncia anulação de leilão de gás de cozinha e critica decisão da Petrobras

Presidente chama certame de 'cretinice' e 'bandidagem', promete rever aumento e critica privatizações do setor

Publicado em 02/04/2026 às 09:53
Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à TV Record da Bahia nesta quinta-feira (2), que irá anular o leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) realizado pela Petrobras na última terça-feira (31). Lula classificou o certo como “cretinice” e “bandidagem”, alegando que a decisão foi tomada sem a orientação do governo federal.

“Foi um leilão, com cretinice e bandidagem, como feito com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'não vamos aumentar o GLP'.

O leilão durou mais de seis horas e registrou ágio superior a 100%. Apesar disso, toda a oferta de 70 mil toneladas foi comercializada, volume que representa cerca de 11% do total de GLP vendido mensalmente no país.

O maior aumento de preço foi registrado no polo de Duque de Caxias (RJ), onde o gás de cozinha saltou de um preço mínimo de R$ 33,37 para R$ 72,77, um ágio de 117% em relação ao valor de referência.

Assim como o óleo diesel, o GLP está sujeito a oscilações devido à guerra no Oriente Médio, já que parte do produto consumido no Brasil é importado. O preço do gás de cozinha estava congelado desde novembro de 2024 e a alta ameaça impactar o programa governamental Gás do Povo, que, segundos agentes do setor, deverão ter seu preço de referência revisado.

Lula também declarou que o governo federal estuda a recompra da Refinaria Landulpho Alves, privatizada em 2021 durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente ainda criticou a privatização da BR Distribuidora, também concluída em 2021, ressaltando que uma recompra só poderá ser feita a partir de 2029.

"Se nós tivéssemos a BR, pensamos garantir que o preço não subiria, mas eles venderam a BR. O que é grave é que privatizaram e nós só podemos recompra-la em 2029. Ou seja, hoje não temos distribuidora", declarou Lula.

Durante uma entrevista, Lula afirmou ainda que o governo federal está empenhado em evitar que os efeitos da guerra no Oriente Médio impactem o preço dos combustíveis e dos alimentos. Classificando o conflito como “irresponsável”, o presidente disse que as consequências devem recair sobre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

“O presidente Trump é que paga, o Netanyahu em Israel que paga, mas o povo brasileiro não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel para o caminhoneiro”, concluiu Lula.