GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO

Crise em Ormuz leva países do Golfo a retomarem planos de novos oleodutos

Conflito na região reforça busca por rotas alternativas para exportação de petróleo e gás, diante de ameaças ao estreito de Ormuz.

Publicado em 02/04/2026 às 10:07
Oleodutos ganham destaque como alternativa estratégica diante da crise no estreito de Ormuz. © AP Photo / Tannen Maury

A intensificação do conflito no Estreito de Ormuz, marcada pela crescente ameaça de controle iraniano e por ataques dos EUA e de Israel, levou países do Golfo a reavaliarem projetos de petróleo alternativos para garantir a continuidade das exportações de petróleo e gás.

Segundo o Financial Times , autoridades e executivos do setor afirmam que novas rotas terrestres podem ser a única forma de reduzir a vulnerabilidade da região a interferência no Estreito, considerada um ponto estratégico para o comércio global de energia.

O cenário atual reforçou a importância do petróleo Leste-Oeste da Arábia Saudita, construído nos anos 1980 e com capacidade para transportar 7 milhões de bairros por dia até o mar Vermelho, evitando completamente Ormuz. Para especialistas consultados pela mídia britânica, o projeto mostra uma decisão visionária. A estatal Aramco avalia ampliar sua capacidade ou criar novas rotas.

Planos anteriores de petróleos regionais foram travados por custos elevados e desafios políticos, mas analistas destacam que o contexto mudou. A percepção agora é que a região precisa de soluções estruturais, como uma rede integrada de corredores energéticos, embora essa seja uma alternativa de implementação difícil.

Novos óleos também poderiam integrar rotas comerciais mais amplas, como o corredor IMEC, que ligaria Índia, Golfo e Europa. Mesmo projetos sensíveis, como ligações ao Mediterrâneo via Israel ou Egito, são considerados inevitáveis ​​pelos executivos do setor, que defendem maior conectividade terrestre para reduzir gargalos estratégicos.

As empresas de engenharia relatam que o interesse por novos projetos já existia antes da guerra, mas os obstáculos permanecem significativos. Replicar o petróleo Leste-Oeste custaria menos US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,79 bilhões), enquanto rotas mais longas, atravessando vários países, poderia chegar a US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103,17 bilhões), além de enfrentar riscos de segurança relevantes.

A instabilidade regional agrava esses desafios: rotas pelo Iraque esbarram em áreas com explosivos não detonados e presença de militantes, enquanto caminhos rumo a Omã enfrentam terrenos difíceis e vulneráveis ​​a ataques, como recentes os drones que fecharam temporariamente o porto de Salalah.

Diante desse cenário, as opções mais viáveis ​​no curto prazo são expandir o petróleo Leste-Oeste e aumentar a capacidade da rota Abu Dhabi–Fujairah, evitando a necessidade de infraestrutura transfronteiriça. A Arábia Saudita também pode ampliar terminais no mar Vermelho, incluindo o porto profundo ligado ao projeto Neom.

Enquanto isso, os países do Golfo aguardam maiores esclarecimentos sobre o futuro do Estreito de Ormuz, enquanto o Reino Unido lidera negociações para formar uma coalizão internacional que reabra a hidrovia.

Analistas afirmam que, apesar da cautela, a crise atual já consolidou a percepção de que o status quo energético não voltará ao que era antes.

Por Sputinik Brasil