Crise em Ormuz leva países do Golfo a retomarem planos de novos oleodutos
Conflito na região reforça busca por rotas alternativas para exportação de petróleo e gás, diante de ameaças ao estreito de Ormuz.
A intensificação do conflito no Estreito de Ormuz, marcada pela crescente ameaça de controle iraniano e por ataques dos EUA e de Israel, levou países do Golfo a reavaliarem projetos de petróleo alternativos para garantir a continuidade das exportações de petróleo e gás.
Segundo o Financial Times , autoridades e executivos do setor afirmam que novas rotas terrestres podem ser a única forma de reduzir a vulnerabilidade da região a interferência no Estreito, considerada um ponto estratégico para o comércio global de energia.
O cenário atual reforçou a importância do petróleo Leste-Oeste da Arábia Saudita, construído nos anos 1980 e com capacidade para transportar 7 milhões de bairros por dia até o mar Vermelho, evitando completamente Ormuz. Para especialistas consultados pela mídia britânica, o projeto mostra uma decisão visionária. A estatal Aramco avalia ampliar sua capacidade ou criar novas rotas.
Planos anteriores de petróleos regionais foram travados por custos elevados e desafios políticos, mas analistas destacam que o contexto mudou. A percepção agora é que a região precisa de soluções estruturais, como uma rede integrada de corredores energéticos, embora essa seja uma alternativa de implementação difícil.
Novos óleos também poderiam integrar rotas comerciais mais amplas, como o corredor IMEC, que ligaria Índia, Golfo e Europa. Mesmo projetos sensíveis, como ligações ao Mediterrâneo via Israel ou Egito, são considerados inevitáveis pelos executivos do setor, que defendem maior conectividade terrestre para reduzir gargalos estratégicos.
As empresas de engenharia relatam que o interesse por novos projetos já existia antes da guerra, mas os obstáculos permanecem significativos. Replicar o petróleo Leste-Oeste custaria menos US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,79 bilhões), enquanto rotas mais longas, atravessando vários países, poderia chegar a US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103,17 bilhões), além de enfrentar riscos de segurança relevantes.
A instabilidade regional agrava esses desafios: rotas pelo Iraque esbarram em áreas com explosivos não detonados e presença de militantes, enquanto caminhos rumo a Omã enfrentam terrenos difíceis e vulneráveis a ataques, como recentes os drones que fecharam temporariamente o porto de Salalah.
Diante desse cenário, as opções mais viáveis no curto prazo são expandir o petróleo Leste-Oeste e aumentar a capacidade da rota Abu Dhabi–Fujairah, evitando a necessidade de infraestrutura transfronteiriça. A Arábia Saudita também pode ampliar terminais no mar Vermelho, incluindo o porto profundo ligado ao projeto Neom.
Enquanto isso, os países do Golfo aguardam maiores esclarecimentos sobre o futuro do Estreito de Ormuz, enquanto o Reino Unido lidera negociações para formar uma coalizão internacional que reabra a hidrovia.
Analistas afirmam que, apesar da cautela, a crise atual já consolidou a percepção de que o status quo energético não voltará ao que era antes.
Por Sputinik Brasil