Durigan nega que aumento dos gastos públicos tenha causado crescimento da dívida
Ministro da Fazenda atribui alta do endividamento à taxa de juros e defende responsabilidade fiscal do governo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu críticas de que a equipe econômica não conseguiu conter o avanço do endividamento público. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta semana, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) e a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) subiram de 78,7% em janeiro para 79,2% em fevereiro.
Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira, 1º, Durigan afirmou que os resultados fiscais de 2023, 2024 e 2025 não foram responsáveis pelo aumento do endividamento.
“Não é verdade dizer: ‘ah, aumentou muito o gasto, por isso o Brasil tem um endividamento maior’ .
De acordo com Durigan, o principal fator para o aumento do endividamento público nos últimos anos é a taxa de juros, "que não é causada pelo excesso de gastos do governo, mas por questões como geopolítica e volatilidade do câmbio" .
Ao comentar sobre medidas para conter despesas obrigatórias, o ministro trouxe avanços, mas apontou que ainda há mais a ser feito. "Recompusemos o fiscal do País e não é verdade dizer que isso ocorreu apenas com aumento de tributos" , disse. Ele citou revisões de privilégios e problemas de arrecadação herdados, como subvenções de ICMS e inadimplência de tributos por parte de apostas e fundos fechados.
"Há uma série de questões inerentes à democracia e à busca por justiça fiscal. As pessoas pagam tributos em seus investimentos e investimentos, e agora, quem não pagava, está pagando" , reforçou.
Durigan também admitiu que o controle de gastos dependerá do próximo governo. “Tivemos avanços, mas não o suficiente para conter despesas obrigatórias. O próximo governo precisará manter o esforço fiscal realizado até aqui” , ponderou.
O ministro afirmou ainda que, com a trajetória de queda da taxa de juros, será possível enfrentar o desafio da dívida pública. “Esse é um tema que me preocupa e precisa ser tratado agora e pelo próximo governo” , destacou. Por fim, Durigan defendeu o arcabouço fiscal aprovado em 2023, afirmando que a regra sobreviveu bem, mas precisa ser aprimorada e fortalecida.