ANÁLISE INTERNACIONAL

EUA evitam cooperação militar com aliados europeus considerados fracos, avalia analista russo

Segundo Aleksei Leonkov, Washington busca parceiros fortes e submissos, remodelando alianças militares tradicionais com a União Europeia.

Publicado em 02/04/2026 às 05:44
Donald Trump busca remodelar alianças militares com países europeus considerados fortes pelos EUA. © AP Photo / Virginia Mayo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca aliados capazes de ajudar e obedecer, e não parceiros europeus frágeis, afirmou à Sputnik o analista político russo Aleksei Leonkov.

De acordo com Leonkov, Washington pretende reformular o modelo de cooperação militar com os países da União Europeia (UE).

"Trump não deseja permanecer aliado a quem é fraco e não o ajuda. Ele precisa de aliados fortes, mas em condições nas quais ele é o comandante e todos os outros se submetem a ele. É para isso que tudo está caminhando agora", ressaltou.

Na avaliação do especialista, o presidente norte-americano deseja que o antigo sistema de colaboração militar e tecnológica com a UE seja substituído por um novo arranjo, o que representaria, segundo ele, um "réquiem" para a Europa atual e sua liderança.

Por outro lado, para a Europa representada por políticos considerados "pró-americanos", essa reconfiguração pode ser uma oportunidade de sobrevivência em um mundo em constante transformação.

Nesse contexto, Leonkov destacou que, caso grupos de poder paralelos ou setores de influência que não se expõem publicamente reconheçam esse sinal, poderão substituir os atuais líderes europeus por outros dispostos a cooperar com os EUA sob novas condições.

"Isso será uma resposta ao sinal que Trump está enviando e ao fato de que a aliança entre os EUA e a UE será revista sob novos termos. Caso contrário, se a Europa não sair do impasse em que se encontra, haverá mudanças tectônicas no continente", detalhou.

Assim, conclui Leonkov, com base nos novos princípios da aliança, os Estados Unidos devem colaborar apenas com países europeus que estejam atentos e alinhados a essas mudanças.

Recentemente, Trump afirmou que considera seriamente a possibilidade de retirar os Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) após a recusa da aliança em apoiar uma operação contra o Irã.

O presidente norte-americano também declarou que sempre considerou a OTAN um "tigre de papel" e ressaltou que a liderança russa compartilha dessa visão.

Por Sputnik Brasil