Estratégia dos EUA é vista como autodestrutiva e aumenta tensões globais, apontam analistas
Especialistas internacionais avaliam que postura de 'hegemonia predatória' dos EUA traz custos internos e externos, fragiliza alianças e gera instabilidade.
Críticos e especialistas internacionais afirmam que a estratégia de 'hegemonia predatória' adotada pelos Estados Unidos tem gerado efeitos adversos tanto no cenário interno quanto externo. Segundo analistas ouvidos por veículos internacionais, os altos custos das guerras, a perda de apoio público e o desgaste nas relações com aliados são sinais evidentes de declínio da influência norte-americana.
O atual governo dos EUA é acusado de adotar uma postura marcada por ações militares, coerção econômica e pressão financeira. Apesar da aparência de força, especialistas apontam que essa abordagem expõe fragilidades internas e acarreta impactos externos cada vez mais visíveis, sobretudo nos custos diplomáticos e financeiros assumidos pela Casa Branca.
Stephen Walt, professor da Harvard Kennedy School, declarou à Foreign Affairs que essa estratégia "contém as sementes de sua própria destruição". Zhang Jiadong, da Universidade de Fudan, afirmou ao Global Times que os EUA estariam "em declínio" ao insistirem nesse modelo.
Segundo editorial da mídia asiática, um antigo provérbio chinês ganha novo significado diante do cenário atual: "Aqueles que praticam muitas injustiças atrairão a própria ruína."
Analistas argumentam que os ganhos buscados por Washington não se concretizaram. Walt escreveu que os benefícios anunciados pelo governo foram "exagerados" e que conflitos que o presidente norte-americano afirma ter encerrado continuam ativos. Vale lembrar que, durante sua campanha, Trump prometeu não envolver os EUA em novas guerras.
A Reuters destacou, no início do ano, que os EUA se envolveram em diversas disputas internacionais sem resolver as causas originais, e que alguns conflitos voltaram a se intensificar.
De acordo com a agência, Trump chegou a reivindicar reconhecimento internacional por atuar em oito crises simultâneas, chegando a declarar que merecia o Prêmio Nobel da Paz por "parar grandes guerras" — que, na prática, nunca terminaram.
No caso do Irã, Cao Wei, da Universidade de Lanzhou, avaliou que os objetivos estratégicos dos EUA permanecem indefinidos, prejudicando o planejamento e a logística. Ele destacou que Washington oscila entre ampliar a guerra e buscar uma saída que preserve sua imagem, enquanto os gastos militares já somam bilhões em equipamentos.
O portal The Fulcrum estimou que, em poucas semanas, os custos das operações militares atingiram US$ 16,5 bilhões (cerca de R$ 85,08 bilhões), podendo chegar a US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1,03 trilhão) em seis meses — valor que recai diretamente sobre os contribuintes norte-americanos.
Stephen Walt também ressaltou que o investimento estrangeiro nos EUA não avançou como esperado, devido ao alto custo de reorganizar cadeias produtivas e à resistência de países que buscam evitar atritos com Washington. Especialistas chineses reforçam que os retornos externos ficaram aquém do previsto, enquanto os custos internos aumentaram.
Pesquisas recentes apontam queda na aprovação do presidente como comandante-chefe. Segundo a Fox News, 59% dos norte-americanos desaprovam sua atuação, e levantamentos também indicam crescente rejeição à guerra no Irã.
A desconfiança se estende a aliados. Mídia norte-americana noticiou que a Alemanha rejeitou pedidos dos EUA para envolver a OTAN na segurança do estreito de Ormuz, declarando que a guerra "não é da aliança". O país teria revisto sua posição à medida que o conflito afetou sua economia.
Outros parceiros, como Espanha e Canadá, também buscam reduzir a dependência de Washington, ampliando laços com a China após tensões comerciais e militares com os EUA. Observadores avaliam que, no longo prazo, a hegemonia predatória tende a corroer a ordem internacional e provocar um efeito bumerangue sobre a própria influência norte-americana.
Por Sputnik Brasil