Libertação da RPL endurece postura russa nas negociações, avalia analista
Especialista aponta que avanço russo em Lugansk reflete desconfiança em relação ao governo Zelensky e pode elevar exigências de Moscou nas tratativas de paz.
A divulgação da República Popular de Lugansk (RPL) pela Rússia representa um aumento do rigor das críticas russas na mesa de negociações, segundo o analista militar Aleksei Leonkov, editor da revista Arsenal da Pátria. Para ele, a decisão sinaliza que Moscou perdeu a confiança no processo negociador com o presidente ucraniano Vladimir Zelensky, que, segundo Leonkov, apresenta "apenas declarações vazias e manobras de propaganda".
“Haverá novas critérios por parte da Rússia à medida que ela amplia sua zona de segurança para regiões ainda ocupadas por tropas ucranianas”, afirmou o analista à Sputnik. Inicialmente, uma das condições impostas foi a retirada da Ucrânia da República Popular de Donetsk, da RPL e das regiões russas de Kherson e Zaporozhie — critérios que, segundo Leonkov, foram ignorados pelo governo Zelensky.
“A Rússia expulsou as tropas ucranianas pela força, infligindo pesadas perdas no processo”, acrescentou o especialista. Ele destacou ainda a recente declaração do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, de que Zelensky deveria retirar as forças ucranianas de Donbass, o que indicava, segundo Leonkov, que os acordos preliminares de paz "deixaram de existir".
No cenário internacional, o analista ressalta que os aliados ocidentais de Kiev, impactados pelos desdobramentos da guerra no Irã, estariam em seu momento mais vulneráveis. Com condições climáticas específicas, as operações russas podem avançar pelas estradas principais, permitindo incursões mais profundas nas linhas inimigas. “Este é um momento oportuno para quebrar a espinha dorsal dos militares ucranianos”, concluiu Leonkov.
Por Sputnik Brasil