SAÚDE PÚBLICA

Anvisa desmente boatos e garante segurança da vacina contra gripe

Agência esclarece dúvidas sobre componentes do imunizante e reforça importância da vacinação anual para prevenção de complicações graves.

Publicado em 01/04/2026 às 19:22
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) veio a público nesta semana para reafirmar a segurança da vacina contra a gripe, após a circulação de conteúdos desinformativos nas redes sociais.

Com a campanha nacional de vacinação iniciada no último sábado, 28, especialistas reforçam que a imunização é a principal forma de evitar complicações e mortes pela doença.

Entre as fake news, circulam alegações de que substâncias presentes na vacina seriam prejudiciais à saúde, como o mercúrio, utilizado na forma de timerosal.

A Anvisa esclarece que a substância não representa risco à saúde. O mercúrio, nesse contexto, atua como conservante, impedindo o crescimento de bactérias e fungos em frascos multidoses.

"A quantidade utilizada é ínfima e diversos estudos comprovam que essa formulação é eliminada rapidamente pelo organismo, sem causar danos ao sistema nervoso ou aos rins", detalha a agência em nota oficial.

Outro componente alvo de desinformação é o Octoxynol-10 (Triton X-100). Publicações sugerem que o composto causaria doenças autoimunes ou câncer, mas a Anvisa destaca que não há base científica para essas afirmações.

Segundo a agência, o Octoxynol-10 é um detergente utilizado para fragmentar o vírus durante a fabricação da vacina, garantindo sua inativação. "Apenas traços residuais permanecem no produto final. O Triton X-100 é amplamente utilizado em cosméticos e medicamentos aprovados mundialmente, sem qualquer indício de que cause malformação ou doenças graves", explica.

Também circulam comparações entre o formaldeído presente na vacina e o "formol" usado em cosméticos, com alegações de potencial cancerígeno.

A Anvisa esclarece que essa informação é equivocada. O próprio corpo humano produz formaldeído naturalmente como parte do metabolismo celular. "O sangue de um bebê, por exemplo, possui naturalmente uma concentração muito maior da substância do que qualquer vacina", informa.

"O formaldeído só é considerado cancerígeno em exposições industriais altas e prolongadas. Nas vacinas, é utilizado em doses residuais mínimas, apenas para inativar o vírus, sendo incapaz de causar leucemia ou outros tumores", acrescenta.

A agência ainda ressalta que monitora continuamente a segurança das vacinas. "O risco real não está nos componentes do imunizante, mas sim nas complicações da gripe, que podem evoluir para pneumonia e óbito", reforça.

Em entrevista ao Estadão, Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), destaca que, embora existam grupos de maior risco, casos graves podem ocorrer em qualquer pessoa.

A vacina influenza trivalente é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e indicada prioritariamente para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, idosos e gestantes.

O Ministério da Saúde orienta que o esquema vacinal para crianças de 6 meses a 8 anos depende do histórico de vacinação: quem já foi vacinado recebe uma dose; quem nunca recebeu precisa de duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.

A imunização é anual porque o vírus influenza sofre mutações frequentes. A cada campanha, as vacinas são atualizadas para abranger as cepas em circulação, tornando a vacinação periódica fundamental.