DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Irã pede aos americanos que questionem 'narrativas fabricadas' de Washington

Presidente iraniano afirma em carta aberta que país não é hostil ao povo dos EUA e defende postura defensiva diante de sanções e agressões.

Publicado em 01/04/2026 às 18:25
Masoud Pezeshkian Reprodução / Instagram

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, divulgou nesta quarta-feira, 1º, uma carta em inglês direcionada ao povo americano, afirmando que o Irã não nutre hostilidade contra cidadãos dos Estados Unidos.

No documento, Pezeshkian ressalta que, apesar de o Irã ter enfrentado "ocupação, agressão e pressões impostas por potências globais", jamais iniciou uma guerra na história moderna, limitando-se a reagir diante de agressores.

Segundo o presidente, mesmo diante de extensas sanções e ações militares diretas, o país se fortaleceu: a taxa de alfabetização triplicou, as tecnologias avançaram, os serviços de saúde se expandiram e a infraestrutura se consolidou. Pezeshkian pediu ao público americano que ignore a "propaganda da mídia" de Washington.

Ele afirmou ainda que qualquer tentativa de caracterizar o Irã como ameaça não corresponde à realidade histórica ou atual, servindo apenas para justificar pressões externas, manter superioridade militar e controlar mercados estratégicos.

Pezeshkian destacou que o Irã não mantém inimizades com os povos de outras nações, incluindo os dos países do Golfo, dos EUA e da Europa. O fortalecimento militar e as operações do país, segundo ele, foram "apenas reação e defesa" diante da agressão dos EUA e do aumento da presença militar americana na região.

O presidente também relembrou a história das relações EUA-Irã, marcada por um período de paz até 1953, quando, segundo ele, a intervenção americana "interrompeu o processo democrático, restaurou a ditadura e gerou desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA".

Nesta quarta-feira, o novo aiatolá Mojtaba Khamenei também se manifestou na rede social X, afirmando: "Agora que o cruel e implacável inimigo americano e sionista não conhece limites humanos, morais ou vitais em sua crueldade, tendo inclusive atacado e danificado os espaços naturais e ambientais de nossa amada pátria, qualquer movimento em direção à expansão da prosperidade e à construção de um futuro brilhante para o Irã é uma ação valiosa e necessária".