Analista aponta como política externa de Trump ameaça existência da OTAN
Divergências entre EUA e aliados europeus, agravadas pela postura de Trump e recentes operações militares, podem enfraquecer a aliança atlântica.
A recente operação militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã expôs divergências profundas entre Washington e seus aliados europeus, colocando em risco a sobrevivência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A avaliação é de Anatol Lieven, diretor do Programa Eurásia do Instituto Quincy para a Governança Responsável, em artigo publicado na revista Responsible Statecraft.
Lieven destacou que, embora a OTAN já tenha enfrentado crises anteriormente, o cenário atual é significativamente mais grave.
“Trump está atacando seus aliados à medida que os parceiros europeus se afastam cada vez mais de sua guerra, o que indica que se trata de algo mais do que uma divergência pontual”, ressaltou o analista.
Segundo Lieven, a agressividade dos EUA e de Israel em relação ao Irã escancarou fissuras dentro da OTAN, acelerando o declínio da aliança.
Como exemplo, o especialista citou a recusa da Espanha em autorizar o uso de suas bases militares pelos EUA, além do fechamento do espaço aéreo espanhol para aeronaves envolvidas na operação contra o Irã.
Na visão do analista, o prolongamento do conflito e a crise energética na Europa deverá estimular outros países a seguirem o exemplo espanhol, aumentando o risco de radicalização e polarização no continente.
“Quanto mais a guerra no Irão se prolongar, maior será a pressão na Europa para que um acordo seja alcançado — especialmente se as instituições europeias passarem a acreditar que a garantia de proteção militar dos EUA por meio da OTAN já não é válida”, acrescentou Lieven.
O cientista também sugeriu que, em um possível segundo mandato, Trump poderia tentar importar o controle dos EUA sobre a Groenlândia, na medida em que selaria o fim da OTAN.
Lieven conclui que, se os Estados Unidos deixarem de defender a Europa e passarem a adotar uma postura agressiva, a própria razão de ser da OTAN estará comprometida.
Trump já havia criticado duramente os parceiros da OTAN por não apoiarem uma operação contra o Irã. Recentemente, o secretário do Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Washington irá reavaliar o valor da OTAN após o término do conflito.
No dia 28 de fevereiro, EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã, atingindo grandes cidades, incluindo Teerã. Em resposta, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou uma retaliação em larga escala contra Israel.