DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Brasil condena massacre no Haiti e pede apoio internacional ao país

Governo brasileiro manifesta preocupação com ataque que deixou mais de 80 mortos e defende ação global para apoiar segurança e estabilidade haitiana.

Por Sputinik Brasil Publicado em 31/03/2026 às 20:33
Brasil condena massacre no Haiti e pede apoio global após ataque violento em Artibonite. © AP Photo / Odelyn Joseph

O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (31), "profunda preocupação" com o ataque ocorrido no domingo (29), na região de Artibonite, no Haiti, atribuído a um grupo criminoso.

A ação resultou em mais de 80 mortos e dezenas de pessoas desalojadas. Em nota, o Itamaraty expressou solidariedade às famílias das vítimas e reiterou seu apoio às autoridades haitianas.

O Brasil defendeu o engajamento da comunidade internacional para fortalecer os esforços do país caribenho nas áreas de segurança pública, desenvolvimento social e econômico e estabilidade institucional.

O ataque aconteceu em Petite Rivière de l'Artibonite, cidade no centro do Haiti, quando integrantes de uma gangue incendiaram casas e executaram moradores à queima-roupa, segundo informações das agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, a violência promovida por gangues e confrontos com as forças armadas do governo resultaram em mais de 5,5 mil mortes entre março de 2025 e meados de janeiro.

Atualmente, gangues armadas controlam grandes extensões do território haitiano, incluindo rotas estratégicas de suprimento. O Haiti é considerado o país mais pobre das Américas, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2024, mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas, hospitais foram fechados, aeroportos tomados e prisões invadidas.

Primeira nação independente do Caribe e primeira república negra do mundo, o Haiti conquistou sua independência em 1791, após uma revolução de ex-escravizados contra o domínio colonial francês. O país sofreu uma invasão norte-americana em 1915 e, desde então, enfrenta dificuldades para se reerguer, sendo assolado por violência, pobreza, intervenções estrangeiras e desastres naturais.

Missões internacionais sem efeito ou prejudiciais

Nos últimos 20 anos, diversas missões multinacionais orquestradas pela ONU prometeram fortalecer o processo de paz no Haiti, sem resultados efetivos.

O Brasil liderou uma dessas missões, de 2004 a 2017, através da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). Especialistas apontam que as tropas brasileiras deixaram um rastro de intervenção autoritária no país.

A mais recente iniciativa multinacional apoiada pela ONU foi batizada de Força de Supressão de Gangues e está prevista para começar em abril, substituindo a missão liderada pelo Quênia, que atuou até outubro passado.

Segundo a ONU, a nova missão contará com cerca de 5,5 mil agentes, cinco vezes mais do que a anterior. Chade, Benin e Bangladesh já se comprometeram a enviar tropas, conforme informações da agência Reuters.