Fome infantil recua quase 30% no Brasil em um ano
Número de crianças e adolescentes em situação de insegurança alimentar grave atinge menor patamar desde 2004, segundo IBGE e MDS.
A insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes no Brasil registrou queda expressiva em 2024, recuando quase 30% em relação a 2023. O número de jovens de 0 a 17 anos nessas condições passou de cerca de 2,5 milhões para 1,8 milhão no período analisado.
Os dados, divulgados nesta terça-feira (31) pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), indicam o menor patamar já registrado desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004.
O monitoramento, realizado pelo MDS em parceria com o IBGE por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aponta que 3,6% das crianças e adolescentes de 0 a 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave em 2024, ante 4,8% em 2023.
O levantamento também mostra queda em outros indicadores: a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, e a obesidade recuou de 6,4% para 5,7% entre o público infantil e juvenil.
Além disso, informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), compiladas pelo Ministério da Saúde, serão consolidadas em junho de 2026.
O MDS atribui a redução da fome entre crianças brasileiras a políticas públicas voltadas ao acesso à renda, alimentação adequada e acompanhamento nutricional.
Entre as iniciativas destacadas está o Benefício Primeira Infância, do Bolsa Família, que desde março de 2023 garante R$ 150 mensais a famílias de cerca de 9 milhões de crianças de 0 a 6 anos. Para famílias com crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, há um adicional de R$ 50 mensais por beneficiário, alcançando cerca de 15 milhões de pessoas.
O fortalecimento de sistemas como o SISVAN também contribuiu para a melhora dos indicadores de saúde alimentar, segundo o ministério. Em 2022, 6,2 milhões de crianças menores de 5 anos tiveram peso e altura acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS). Em 2025, dados preliminares indicam que esse número subiu para 7,9 milhões, evidenciando a ampliação da cobertura nos serviços públicos.