MERCADO FINANCEIRO

Bolsas de Nova York disparam com avanço em negociações entre EUA e Irã, mas acumulam perdas em março

Índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq sobem após sinais de diálogo para encerrar conflito, mas fecham mês e trimestre em queda.

Publicado em 31/03/2026 às 17:37
Reprodução

As bolsas de valores em Nova York encerraram o pregão desta terça-feira, 31, em forte alta, impulsionadas por declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre negociações para pôr fim ao conflito entre os dois países. Apesar da recuperação no dia, os principais índices registraram perdas tanto no mês de março quanto no primeiro trimestre do ano.

O índice Dow Jones avançou 2,49%, fechando aos 46.341,51 pontos. O S&P 500 subiu 2,91%, aos 6.528,52 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 3,83%, encerrando em 21.590,63 pontos.

No acumulado de março, o Dow Jones recuou 5,38%, o S&P 500 perdeu 5,09% e o Nasdaq caiu 4,75%. No trimestre, as quedas foram de 3,58%, 4,63% e 7,1%, respectivamente.

O setor de tecnologia, um dos mais afetados desde o início do conflito, liderou os ganhos após as notícias de negociações. O fundo iShares U.S. Technology teve alta superior a 4,5%, com destaque para as ações da Nvidia, que subiram 5,6%, e da Meta, com valorização de 6,7%.

Empresas do setor de alumínio também estenderam os ganhos da véspera, impulsionadas por uma nova rodada de alta nos contratos do metal e revisões positivas nas estimativas de preços, após danos em duas das maiores produtoras do Golfo. A Alcoa subiu 4,9%, a Century Aluminium disparou 10,2% e a Constellium avançou 6,6%.

A recuperação dos mercados ocorreu após o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmar que o país não pretende prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões.

Na noite de segunda-feira, o jornal The Wall Street Journal informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria sinalizado a assessores disposição para encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz permanecendo, em grande parte, fechado — uma flexibilização em relação à exigência inicial de Washington para o fim do conflito. Nesta terça, Trump reforçou que as negociações "caminham bem".

Segundo Elior Maier, analista da Oanda, a mudança de postura de Trump representa um retorno à política "America First", com possíveis consequências negativas para países aliados dos EUA. "Trump indicou que deixaria a defesa do Estreito de Hormuz sob responsabilidade de nações europeias e asiáticas, que têm relutado em intervir na região desde o início do mês", avaliou o especialista.