INDICAÇÃO AO SUPREMO

Indicação de Jorge Messias ao STF deve enfrentar demora no Senado, aponta mídia

Processo de sabatina do ministro da AGU pode ser adiado por questões políticas e calendário eleitoral

Publicado em 31/03/2026 às 17:06
Jorge Messias aguarda definição do Senado para sabatina após indicação ao STF. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

A sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, indicada nesta terça-feira (31) ao Supremo Tribunal Federal (STF), deve ter andamento lento no Senado. Segundo o jornal O Globo, os parlamentares avaliaram que a sabatina não ocorrerá em breve e poderá ser adiada para o segundo semestre.

O ritmo do processo depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável por encaminhar a indicação à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Até o momento, não há previsão para esse encaminhamento.

Em entrevista ao O Globo, o presidente da CCJ, Otto Alencar, afirmou que ainda não existe prazo para análise do nome de Messias. Segundo ele, o envio da indicação depende exclusivamente de Alcolumbre. Só após esse envio será possível iniciar a leitura do processo e agendar a sabatina, o que pode levar de oito a quinze dias.

"Não sei se precisa ser célere. O tempo de Davi é o tempo de Davi, assim como o tempo do presidente Lula foi o tempo do presidente Lula", declarou Alencar.

De acordo com a reportagem, nos bastidores, aliados de Alcolumbre indicam que não há interesse imediato em acelerar o processo. A avaliação predominante é que a indicação ao STF não é prioridade do Senado neste momento, o que reforça a possibilidade de adiamento. Há expectativa de que a sabatina ocorra apenas após as eleições de outubro, período em que o Congresso costuma retomar um ritmo mais intenso de votações.

O cenário também é influenciado pelo desgaste na relação entre o Senado e o governo do presidente Lula. A escolha do Messias, anunciada ainda em novembro, contrariou parte da cúpula do Senado, que preferia Rodrigo Pacheco, intensificando o distanciamento entre o Palácio do Planalto e a liderança da Casa.

Outro fator é o calendário legislativo, que perde força a partir de junho devido ao avanço das campanhas eleitorais nos estados, o que pode atrasar ainda mais a tramitação da indicação.

O jornal destaca ainda que Alcolumbre utiliza o controle da pauta como instrumento político. Propostas importantes para o governo, como a PEC da Segurança Pública, também aguardam encaminhamento, evidenciando que o avanço de materiais depende de decisões políticas do comando do Senado.

Por outro lado, aliados de Messias ainda esperam que ele intensifique o diálogo com senadores para reduzir resistências. Entretanto, a percepção interna é que o futuro da indicação está mais relacionado à disposição do presidente do Senado em pautar o tema do que ao apoio parlamentar.

Por Sputnik Brasil