ECONOMIA INTERNACIONAL

Membro do Fed alerta para impacto da alta do petróleo na inflação dos EUA

Presidente do Fed de Kansas City destaca riscos de pressão inflacionária e defende cautela na política monetária diante da elevação dos preços de energia.

Publicado em 31/03/2026 às 16:45
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A recente alta dos preços de energia, impulsionada pelo aumento das interrupções causadas pelo Irã, deve pressionar a inflação nos Estados Unidos e reforçar a necessidade de cautela por parte do Federal Reserve (Fed), afirmou o presidente do distrito de Kansas City, Jeffrey Schmid, durante evento em Oklahoma nesta terça-feira (31).

Schmid informou que a projeção para o petróleo é de valores próximos a US$ 80 por barril no fim do ano, embora reconheça "muita incerteza" quanto ao desdobramento do conflito. Historicamente, choques dessa natureza impactaram a atividade econômica. Embora o efeito atual deva ser menor, ainda assim, segundo ele, pode representar "um entrave moderado ao crescimento".

O dirigente enfatizou que, apesar de os EUA serem exportadores de líquidos de energia, não estão imunes a perturbações externas na oferta, já que o petróleo é precificado globalmente. Nesse cenário, o aumento dos custos com combustíveis reduz a renda disponível das famílias e limita o consumo.

Os efeitos sobre a inflação, porém, são mais imediatos. “Maiores preços de energia vão aumentar a inflação”, afirmou Schmid. Ele destacou que, além do impacto direto nos índices cheios, a alta também afeta o núcleo da inflação — mesmo que este exclui os preços do setor energético — ao encarecer itens como alimentos, transporte e passagens aéreas.

Schmid informou que a inflação já era motivo de preocupação antes do choque energético, girando em torno de 3% e com progresso "estagnado" na direção à meta de 2%. Com os novos desdobramentos no Oriente Médio, a pressão inflacionária deve se intensificar.

Diante desse contexto, Schmid alertou para a necessidade de vigilância. “Não acho que possamos ser complacentes em relação aos riscos para as expectativas de inflação”, disse. Para ele, cabe à política monetária conter os efeitos indiretos da alta da energia e garantir que a inflação não se estabilize em patamares elevados.

Demanda forte e alta produtividade

Para o dirigente do Fed, a economia dos Estados Unidos segue reforçada em fundamentos sólidos, diante de uma combinação de fatores positivos e negativos. Segundo ele, o cenário atual é marcado por “forte impulso de demanda, alta produtividade e desemprego relativamente baixo”.

A atividade econômica mantém um crescimento “constante”, com expansão projetada de pouco mais de 2% em 2025 e projeções de avanço semelhantes no primeiro trimestre de 2026, ressaltou Schmid. O desempenho tem sido impulsionado tanto pela resiliência do consumo quanto pelo aumento dos investimentos empresariais, incluindo gastos em inteligência artificial (IA).

Mesmo assim, Schmid destacou que o consumo permanece como o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB), representando cerca de dois terços da demanda agregada. Ele apontou que parte desse dinamismo é sustentado por balanços familiares robustos e estímulos fiscais, como reembolsos de impostos mais elevados.

Schmid também obteve ganhos expressivos de produtividade como um dos vetores recentes de crescimento. Embora a expansão dos investimentos em IA tenha contribuído, ele ressaltou que a tecnologia “não é a força principal” por trás do avanço da produtividade, citando fatores como maior dinamismo empresarial e mudanças no mercado de trabalho.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego em 4,4% permanece baixa em termos históricos, embora “um pouco mais alta do que no ano passado”. Schmid comentou que a criação de vagas tem sido limitada, mas explicou que isso se deve, em grande parte, ao ligeiro crescimento da população em idade ativa.

De acordo com o dirigente, esse fator representa um desafio estrutural. A combinação de envelhecimento populacional, menor imigração e baixo crescimento da força de trabalho tende a limites importantes ao potencial de expansão da economia americana no médio e longo prazo.