MERCADO FINANCEIRO

Ouro fecha em alta com otimismo sobre acordo no Irã, mas recua no mês

Ouro reage positivamente a sinais de acordo no Irã, mas encerra março com queda acumulada de 12,5%

Publicado em 31/03/2026 às 16:00
Barra de Ouro Reprodução

O contrato mais líquido do ouro encerrado nesta terça-feira, 31, em alta, impulsionado pelo otimismo nos mercados diante de sinalizações dos Estados Unidos e do Irã sobre o conflito regional. A perspectiva de um acordo possível, mesmo sem a reabertura do Estreito de Ormuz, pressionou o dólar e os rendimentos dos Tesouros, movimentos que costumam favorecer o ouro, cotado em dólar e sem rendimento de juros. O avanço ocorre após um mês de desvalorização do ativo.

Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril fechou em alta de 2,69%, a US$ 4.647,6 por onça-troy. No acumulado de março, porém, registrou queda de 12,5%.

A prata para maio também avançou, com alta de 6,16%, cotada em US$ 74.919 por onça-troy. No mês, o metal recuou cerca de 16%.

Recuperação técnica e incertezas

“O ouro se recuperou em meio à queda dos rendimentos dos títulos soberanos após testar o suporte na semana passada – a retração de Fibonacci de 38,2% da alta de 2023 a janeiro, que normalmente separa a continuação da tendência de alta de uma fase de liquidações de médio prazo”, explica Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote. Rendimentos mais baixos rigorosos o custo de oportunidade de manter o ouro, já que o metal não rende juros.

Segundo o analista, “a questão agora é se o ouro conseguirá recuperar seu status de porto seguro e seu apelo como proteção contra a inflação caso as perdas no mercado de ações se acelerem”. Ela observou que o comportamento do nosso ouro dependerá de uma combinação de fatores, como preços do petróleo, dólar e rendimentos dos títulos. "Por ora, a pressão vendedora parece estar impedindo, mas o risco de novas quedas permanece. Portanto, os mercados continuarão sendo impulsionados por notícias e pela dinâmica dos preços do petróleo e, até que haja um progresso em direção significativa à estabilidade, qualquer recuperação nas ações, títulos ou ouro provavelmente permanecerá frágil", pondera.

Perspectivas para metais financeiros

O TD Securities destaca que, enquanto o choque por precificado como "mais inflação do que estagnação", os metais financeiros tendem a permanecer desfavorecidos, devido à ausência de crescimento excessivo da oferta monetária, à postura de pausa do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) e às preocupações atenuadas quanto à independência do banco central dos EUA.