Presidente do Irã condiciona fim da guerra a garantias contra agressões
Masoud Pezeshkian afirma que Teerã está disposto a encerrar conflito, desde que haja proteção contra novos ataques; tensão aumenta após sobrevoo de bombardeiros dos EUA e críticas à postura da União Europeia.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira, 31, que o país não pretende prolongar o conflito e está disposto a encerrar a guerra, desde que receba garantias de que não sofrerá novas agressões. A afirmação foi feita durante uma conversa telefónica com António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Pezeshkian destacou que o Irã foi alvo de ataques enquanto negociava com os Estados Unidos, o que, segundo ele, demonstra que Washington “não acredita na diplomacia”.
Em comunicado divulgado pelo Telegram, o presidente iraniano afirmou que Teerã participou das tratativas “de forma sincera e construtiva”, mas foi atacado duas vezes durante esse processo. Para ele, as operações evidenciaram que os EUA pretendem importar seus interesses pelo uso da força.
Pezeshkian também criticou duramente a União Europeia, classificando como "lamentável" o silêncio do bloco diante das ações dos Estados Unidos e de Israel. Ele afirmou que a postura europeia contradiz os princípios de defesa dos direitos humanos e do direito internacional, que a UE diz defender.
O presidente reiterou o direito do Irã à defesa legítima e acusou países vizinhos de permitirem o uso de bases americanas para ataques, sem cumprir suas responsabilidades internacionais. Acrescentou que o Estreito de Ormuz está fechado a embarques de países considerados agressores e alertou que "qualquer intervenção, sob qualquer pretexto, terá consequências perigosas".
Por sua vez, António Costa declarou que a Europa não apoia agressões contra o Irã e defendeu a resolução do conflito por meio de negociações, ressaltando a preocupação com os impactos globais da guerra.
Tensão militar aumenta
Pela primeira vez desde o início do conflito, militares americanos saíram nesta terça-feira para sobrevoar o território iraniano com bombardeiros B-52, elevando ainda mais a tensão na região.
Semana decisiva?
Mais cedo, em coletiva de imprensa, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias serão decisivos para a guerra no Oriente Médio e que o Irã fará um acordo "se para a saúde".
Hegseth ressaltou que o presidente dos EUA, Donald Trump, está disposto a negociar e que o Irã já conhece os termos da proposta americana.
“Se o Irã não estiver disposto, então o Departamento de Guerra continuará com ainda mais intensidade”, afirmou Hegseth, utilizando o nome oficial da pasta.
Segundo ele, nas últimas 24 horas, o Irã disparou o menor número de mísseis e drones desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
O chefe do Pentágono afirmou ainda que o encerramento da guerra “será uma decisão exclusiva” de Trump, quando os “objetivos forem concluídos”. "Temos nossos próprios objetivos e diretrizes. Temos metas militares para as quais estamos caminhando e aspectos que analisamos", explicou.
Libertação do Estreito de Ormuz
Pouco antes da coletiva, o presidente Donald Trump afirmou que os países que dependem do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz devem agir para garantir o abastecimento.
"Criem coragem, vão até o estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vão buscar seu próprio petróleo", escreveu Trump na Verdade Social.