SAÚDE E COMPORTAMENTO

Fernanda Lima e Sabrina Parlatore expõem sintomas pouco discutidos da menopausa e ampliam debate entre mulheres

Relatos das apresentadoras evidenciam efeitos físicos e emocionais ainda subestimados e reforçam a necessidade de abordagem mais ampla sobre o tema

Por Assessoria Publicado em 31/03/2026 às 15:36

Os relatos recentes de Fernanda Lima e Sabrina Parlatore recolocam em circulação um debate, que apesar de comum, ainda permanece subnotificado entre as mulheres. Ao exporem experiências pessoais, ambas contribuem para dar visibilidade a sintomas da menopausa que nem sempre são reconhecidos como parte desse processo fisiológico. Entre ganho de peso sem causa aparente e alterações no comportamento emocional, os sinais revelam uma fase que pode se manifestar de forma heterogênea, silenciosa e, muitas vezes, desconcertante.

No episódio mais recente do podcast “terapiRa”, Fernanda Lima abordou um aspecto menos explorado da menopausa. Em tom de desabafo, descreveu momentos de apatia e mudanças na resposta emocional diante de situações cotidianas. Relatou redução do envolvimento com acontecimentos antes mobilizadores e um movimento de retração na vida social, marcado por maior introspecção.

“O cérebro da mulher responde diretamente às oscilações hormonais, o que interfere em emoções, motivação e comportamento. Muitas dessas mudanças ainda são interpretadas como fragilidade emocional ou desinteresse, quando, na realidade, refletem um ajuste biológico à queda de estrogênio”, afirma Fabiane Berta, médica, pesquisadora e mestranda em climatério.

Já Sabrina Parlatore trouxe à tona outra queixa recorrente nesse período. Em publicações nas redes sociais, relatou alterações corporais mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios. O ganho de peso, progressivo e sem causa evidente, levou ao questionamento sobre a mudança na resposta do organismo a hábitos que antes eram eficazes.

“O metabolismo feminino sofre alterações relevantes durante a menopausa, impactando diretamente a composição corporal. Mesmo com rotina saudável, o corpo pode reagir de forma distinta, favorecendo o acúmulo de gordura e dificultando a manutenção do peso”, explica a especialista.

No caso de Sabrina, há ainda um fator clínico que complexifica o manejo. Por já ter enfrentado um câncer de mama, a apresentadora não pode recorrer à terapia hormonal, estratégia amplamente utilizada para o alívio dos sintomas do climatério. Nesses contextos, o acompanhamento exige maior precisão e individualização.

“Quando a terapia hormonal não é indicada, o cuidado precisa ser ainda mais criterioso. Estratégias envolvendo ajuste nutricional, fortalecimento muscular, monitoramento metabólico e intervenções clínicas bem direcionadas podem restabelecer qualidade de vida, respeitando o histórico e os limites de cada paciente”, afirma Fabiane.

Segundo a médica, a menopausa não se restringe a sintomas isolados, mas configura uma reorganização sistêmica do organismo. A queda hormonal repercute no cérebro, no sono, no humor e no metabolismo, com impactos diretos na funcionalidade e na qualidade de vida.

“Ainda há uma tendência de fragmentar os sintomas, quando, na prática, o que ocorre é uma transformação integrada do corpo feminino. Ignorar essa dimensão sistêmica compromete tanto o diagnóstico quanto a condução clínica”, diz.

Segundo a pesquisadora, a exposição dessas experiências por figuras públicas contribui para ampliar o repertório de informação disponível e tensiona um silêncio histórico em torno do tema. “Ao trazer vivências concretas para o debate, essas narrativas aproximam a menopausa do cotidiano e favorecem o reconhecimento de sinais que, por anos, foram minimizados ou naturalizados sem investigação adequada”, finaliza.