MERCADO FINANCEIRO

Bolsas europeias sobem com expectativa de fim do conflito no Oriente Médio

Sinais de possível trégua impulsionam apetite por risco, apesar de tensões e queda mensal do Stoxx 600

Publicado em 31/03/2026 às 13:31
Bolsas europeias sobem com expectativa de fim do conflito no Oriente Médio Reprodução

As principais bolsas da Europa fecharam em alta nesta terça-feira, 31, ampliando os ganhos da sessão anterior. O movimento foi impulsionado por expectativas de um possível fim do conflito no Oriente Médio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar a assessores que aceita encerrar as operações militares contra o Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda em grande parte fechado.

Apesar de, menos de uma hora antes do encerramento do pregão, o Irã ter anunciado que empresas americanas passarão a ser "alvos legítimos" na região do Golfo a partir de 1º de abril, o otimismo dos investidores se manteve.

Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,48%, aos 10.176,45 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,31%, para 22.633,18 pontos. O CAC 40, em Paris, teve alta de 0,57%, a 7.816,94 pontos. O FTSE MIB, em Milão, cresceu 1,11%, a 44.309,71 pontos. O Ibex 35, em Madri, registrou ganho de 0,63%, a 17.075,50 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,68%, para 9.131,56 pontos. As cotações são preliminares.

Apesar do avanço no dia, levantamento da CNBC indica que o índice Stoxx 600 acumulou queda mensal de cerca de 7% em março, a maior baixa desde meados de 2022.

Por volta do meio-dia (horário de Brasília), o exército iraniano atacou a Siemens, a AT&T e centros de telecomunicações próximos ao Aeroporto Ben Gurion e à cidade de Haifa, em Israel. As ações da Siemens avançaram aproximadamente 0,5%, segundo dados preliminares.

A notícia vinda de Washington sobre a possibilidade de encerramento das hostilidades pressionou os preços do petróleo para baixo.

De acordo com o Deutsche Bank, o cenário elevou o apetite por risco entre investidores. Já o Julius Baer avaliou que o conflito entre EUA, Israel e Irã deve seguir o padrão geopolítico usual, com impacto intenso, porém de curto prazo, sobre os preços da energia.

As possíveis consequências econômicas da guerra seguem no radar. Segundo a Bloomberg, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, questionou o otimismo do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre a duração dos efeitos econômicos do conflito, durante videoconferência do G7.

Para a Capital Economics, o BCE pode ser obrigado a elevar modestamente os juros caso a inflação ultrapasse significativamente a meta da zona do euro. Nesta terça-feira, a leitura preliminar do CPI de março atingiu 2,5%, acelerando em relação aos 1,9% registrados no mês anterior.

No noticiário corporativo, as ações da Unilever caíram 6% após a empresa anunciar negociações avançadas com a americana McCormick para fusão do negócio de alimentos com a fabricante de especiarias. Na Dinamarca, a Novo Nordisk encerrou o dia em baixa de 0,1% após lançar um programa de assinatura plurianual para medicamentos contra a obesidade.