Freixo relembra ditadura e diz que país superou o 'Brasil com Z' em despedida da Embratur
Em evento de despedida, Marcelo Freixo destaca avanços no turismo, faz balanço da gestão e compara atualidade com período da ditadura militar.
Dirigente também discute segurança pública e crescimento do turismo em entrevista.
O presidente cessante da Embratur, Marcelo Freixo, encerrou nesta terça-feira (31) sua gestão à frente da agência pública de promoção internacional do turismo, afirmando estar deixando o cargo "extremamente feliz, satisfeito e muito grato" pelo período em que esteve à frente da instituição. Ele confirmou ainda que irá disputar uma vaga de deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro.
Freixo assumiu a presidência da Embratur em 2023 e se despede do posto justamente no ano em que a instituição completa 60 anos. Durante participação no Visit Brasil Summit, no Teatro Nacional, em Brasília, ele apresentou um balanço da gestão e fez comparações entre o contexto atual e o período da ditadura militar no Brasil.
Ao mencionar o aniversário da agência, Freixo declarou que "há 60 anos o Brasil estava muito pior", referindo-se à ditadura. Segundo ele, o regime militar "promovia o Brasil da pior forma". Freixo afirmou que "os EUA poderiam fazer o que quisessem" e que os militares retratavam as "mulheres como exóticas", caracterizando aquele período como o "Brasil com Z". Para Freixo, tratou-se de uma "página infeliz da nossa história".
Em contraponto, ressaltou que o país recuperou sua imagem internacional, trazendo de volta o "Brasil com S". Ele frisou ainda que "a marca Brasil não é de um governo, é do país".
No discurso de despedida, Freixo destacou que a experiência na Embratur reforçou sua trajetória ligada à defesa dos direitos humanos.
"O turismo não me tirou dos direitos humanos, me deu ainda mais a capacidade de reafirmar que o Brasil é o país dos direitos humanos."
Mais cedo, Freixo confirmou à Sputnik Brasil que irá disputar uma vaga de deputado federal pelo PT, encerrando oficialmente seu ciclo na Embratur após pouco mais de dois anos à frente da agência.
Em entrevista à agência após o término da abertura do evento, Freixo destacou os avanços em sua gestão e afirmou que o Brasil saltou de 5,9 milhões de turistas internacionais em 2023 para o patamar atual de 9,3 milhões. A receita gerada foi de US$ 8 bilhões, segundo o dirigente.
"Gerou emprego, gerou renda e gerou reconhecimento", enfatizou.
Na entrevista, Freixo também negou que a questão da segurança pública prejudique o turismo. Segundo ele, o turismo é, na verdade, uma solução para o problema.
"Quando os lugares se tornam mais turísticos, há mais circulação de pessoas, mais atividade cultural, mais segurança, mais geração de emprego e ocupação de espaços. O turismo tem que ser pensado como solução para a segurança pública."
No balanço administrativo apresentado, foi destacado que a Embratur voltou a receber recursos do Orçamento da União e alcançou 98% de transparência ativa. Além disso, houve a criação de um escritório de projetos, introduzindo uma cultura de gestão baseada em planejamento e decisões orientadas por dados de inteligência de mercado.