SAÚDE PÚBLICA

Dourados decreta situação de emergência após aumento de casos de chikungunya

Município do Mato Grosso do Sul enfrenta surto da doença, com centenas de casos confirmados e mortes registradas, inclusive em reserva indígena.

Publicado em 31/03/2026 às 12:44
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, por meio de portaria publicada nesta segunda-feira (30) no Diário Oficial da União (DOU), a situação de emergência em saúde pública no município de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O principal motivo é o avanço dos casos de chikungunya e outras doenças infecciosas virais na região.

Em 2024, a área urbana de Dourados já soma 785 casos confirmados da doença, com 39 pessoas internadas. Outros 900 casos suspeitos seguem sob investigação pelas autoridades de saúde.

O cenário é ainda mais preocupante na reserva indígena do município, onde foram registrados 629 casos confirmados, dos quais 428 necessitaram de atendimento hospitalar. Sete pacientes precisaram ser internados e cinco pessoas morreram em decorrência da chikungunya. Há ainda 539 casos em investigação na comunidade indígena.

Segundo nota da administração municipal, "com o reconhecimento da situação de emergência em saúde, a Prefeitura de Dourados poderá enfrentar de forma mais contundente o avanço da doença sobre os bairros e, também, ampliar as ações que já estão sendo realizadas na reserva indígena, em parceria com o governo federal e com o governo do Estado".

A portaria autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil de Dourados, para organizar e intensificar as ações de resposta à crise. Também está autorizada a convocação de voluntários e a realização de campanhas para arrecadação de recursos destinados ao combate à chikungunya.

Além disso, a medida amplia os poderes de autoridades e agentes da Defesa Civil em situações de risco imediato, permitindo o ingresso em residências para prestar socorro ou determinar evacuação, bem como o uso de propriedades particulares em caso de perigo público iminente, com direito à indenização ao proprietário em caso de danos.

Vacinação e reforço no combate

Diante do surto, o Ministério da Saúde anunciou que disponibilizará doses da vacina contra chikungunya como parte de uma estratégia piloto de prevenção. A pasta também autorizou, em caráter emergencial, a contratação de 20 agentes de combate a endemias (ACE) para atuar na região, além do envio de insumos como larvicidas e previsão de repasse de outros recursos para reforçar as ações de combate.

Sobre a chikungunya

Transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes, a chikungunya provoca febre de início súbito, manchas vermelhas na pele e dores intensas nas articulações, que podem persistir por semanas, meses ou até anos.

Grupos de risco, como recém-nascidos, idosos e pessoas com doenças pré-existentes, têm maior probabilidade de desenvolver formas graves e podem necessitar de hospitalização.

Não existe tratamento antiviral específico para a chikungunya. O cuidado é voltado ao alívio dos sintomas, com o uso de medicamentos para controlar a dor e a febre.