CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Israel ameaça destruir vilarejos no sul do Líbano e manter zona tampão sob controle

Ministro da Defesa promete operação no 'modelo Gaza', impedindo retorno de deslocados até garantir segurança na fronteira norte.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 31/03/2026 às 12:46
Militares israelenses patrulham fronteira com o Líbano em meio à ameaça de destruição de vilarejos. © AP Photo / Leo Correa

Israel declarou que irá demolir todas as residências em vilarejos libaneses próximos à fronteira e não permitirá o retorno das cerca de 600 mil pessoas deslocadas enquanto não considerar seguro o norte de seu território.

Segundo a agência Reuters, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ofensiva no sul do Líbano seguirá o chamado "modelo Gaza", prometendo um nível de devastação semelhante ao registrado em Rafah e Beit Hanoun.

Katz reiterou que Israel pretende estabelecer uma zona tampão na região após a guerra contra o Hezbollah, mantendo controle militar sobre toda a faixa até o rio Litani. A medida consolidaria uma presença israelense em quase 10% do território libanês, numa área estratégica que separa o Hezbollah da fronteira de Israel.

Desde o início da ofensiva israelense, em 2 de março, mais de 1,2 milhão de libaneses foram deslocados e cerca de 1.200 morreram, de acordo com autoridades locais.

A operação foi deflagrada após o Hezbollah abrir fogo em apoio ao Irã no contexto da guerra regional envolvendo EUA e Israel, ampliando o conflito para o território libanês.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) já haviam ordenado a evacuação de extensas áreas do sul do Líbano, dos subúrbios de Beirute controlados pelo Hezbollah e de redutos do grupo no leste do país. Katz declarou que Israel destruirá armas, infraestrutura e combatentes de elite do Hezbollah, impedindo o retorno de civis ao sul do Litani até que a segurança israelense esteja assegurada.

O porta-voz militar israelense informou que o Hezbollah lançou quase 5 mil drones, foguetes e mísseis contra Israel desde o início do conflito. Em resposta, Israel intensificou ataques a alvos do grupo nos subúrbios do sul de Beirute, alegando atingir infraestrutura militar.

Este é o segundo grande confronto entre Israel e Hezbollah desde 2024. Na guerra anterior, Israel matou o líder do grupo, Hassan Nasrallah, e milhares de combatentes, enfraquecendo temporariamente sua capacidade militar.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 1.247 pessoas já morreram em decorrência dos ataques israelenses, incluindo 124 crianças e 52 profissionais de saúde.

Fontes citadas pela Reuters estimam mais de 400 combatentes do Hezbollah mortos. Do lado israelense, as Forças Armadas relatam a morte de dez soldados em confrontos com o grupo.