MERCADO FINANCEIRO

Expectativa de fim da guerra impulsiona Ibovespa, mas índice pode fechar março em queda

Bolsa brasileira avança com otimismo global, mas volatilidade e incertezas ainda pressionam desempenho no mês.

Publicado em 31/03/2026 às 11:41
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ibovespa iniciou a sessão desta terça-feira, 31, em alta, atingindo rapidamente a marca de 186 mil pontos após abrir no mínimo de 182.515,40 pontos. O movimento acompanha o desempenho positivo das bolsas norte-americanas e europeias, impulsionado pelas expectativas de um fim possível da guerra no Oriente Médio, apesar da continuidade dos ataques na região.

Paralelamente, os investidores monitoram indicadores de emprego no Brasil (Caged) e nos Estados Unidos (Jolts), além do resultado primário do setor público referente a fevereiro.

Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, há expectativa de que Estados Unidos, Israel e Irã cheguem a um acordo que contribua para a redução das contribuições globais. "Estamos naquela janela projetada pelo presidente americano, de quatro a seis semanas. Qualquer notícia que não aponte para uma negociação ou acordo pode prolongar o conflito", afirma.

Apesar da valorização do Ibovespa nesta manhã, o índice caminha para encerrar o mês de março em território negativo.

Até as 11h11, o Ibovespa acumulava queda de 1,32% no mês, mas registrava alta de quase 16% no fechamento do primeiro trimestre. O volume financeiro deve ser elevado. Na segunda-feira, o índice subiu 0,53%, fechando aos 182.514,20 pontos.

Circulam informações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz ainda parcialmente bloqueado. Nesse cenário, o preço do petróleo tende a se estabilizar. Após a alta pela manhã, o Brent recuava 0,50% no local relatado, mas permaneceu acima dos US$ 100, próximo de US$ 107 o barril.

No entanto, o ambiente segue incerto. O próprio Trump divulgou hoje um vídeo que aparentemente mostra um ataque de grandes proporções a Isfahan, no centro do Irã, no 32º dia da guerra no Oriente Médio.

"Desde o início da guerra, a volatilidade tem dominado os mercados. As revisões ou altas nunca são contidas, pois há muita incerteza", analisa Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos. "O índice segue influenciado pelo fluxo estrangeiro", complementa.

Até a última sexta-feira, o ingresso de capital estrangeiro acumulado na B3 em 2026 foi de R$ 50.581 bilhões, podendo ser o melhor resultado desde 2022. Esse movimento é atribuído, principalmente, aos preços atrativos de algumas ações em comparação com papéis dos Estados Unidos e de outros mercados emergentes, além do afrouxamento de investimentos iniciado em março pelo Banco Central brasileiro.

O mercado também aguarda os dados do Caged, que serão divulgados à tarde e podem influenciar as apostas para a taxa Selic. Ainda hoje, ocorreu reunião ministerial e dois encontros do Banco Central com economistas em São Paulo.

No campo corporativo, a Vale informou que o fluxo de caixa livre da Vale Metais Básicos (VBM) pode atingir até US$ 1,9 bilhão em 2026. Nesta terça-feira, em Dalian, o minério de ferro fechado em queda de 0,80%, cotado a US$ 116,88 por tonelada.

Às 11h25, o Ibovespa registrava alta de 1,80%, aos 185.805,49 pontos, após atingir máxima de 186.447,97 pontos e abertura na mínima de 182.515,40 pontos. O dólar à vista recuava 0,74%, cotado para R$ 5,2095, influenciando também os juros futuros.