Indicador de Incerteza sobe 9,2 pontos em março ante fevereiro, aponta FGV
Conflito no Irã e instabilidade global elevam percepção de risco, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas
O Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br) registrou alta de 9,2 pontos em março em comparação com fevereiro, atingindo 115,0 pontos , conforme divulgado nesta quinta-feira (28) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Na análise das médias móveis trimestrais, o índice avançou 3,5 pontos.
Segundo Anna Carolina Gouveia, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), o aumento foi motivado principalmente pela guerra envolvida no Irã e seus impactos globais. "O nível de incerteza econômica voltou a subir em março, impulsionado pela guerra do Irã e seus desdobramentos globais. Há diversas fontes de incerteza no momento, especialmente quanto à duração e a uma possível escalada do conflito, bem como de impactos na economia mundial, a começar pela alta no preço do barril de petróleo, passando por riscos à cadeia de fertilizantes e ao aumento da inflação, principalmente de alimentos", avaliou Gouveia em nota oficial.
O IIE-Br é composto por dois indicadores: o IIE-Br Mídia, que monitora a frequência de notícias sobre incerteza nos principais jornais do país, e o IIE-Br Expectativa, calculando a partir da dispersão das divergências para a taxa de câmbio e o IPCA.
"A alta do IIE-Br foi observada em seus dois componentes, refletindo as incertezas no debate global e das variações de inflação e da taxa Selic para daqui a um ano. O resultado leva o indicador para um nível elevado de incerteza, refletindo também a forte instabilidade da economia mundial do momento", acrescentou Gouveia.
O componente de Mídia subiu 7,5 pontos, chegando a 117,2 pontos, e contribuiu com 6,5 pontos para o resultado do mês. Já o componente de Expectativas avançou 12,0 pontos, atingindo 99,6 pontos, com contribuição de 2,7 pontos para o índice de março.
A coleta de dados do Indicador de Incerteza da Economia Brasileira é realizada entre o dia 26 do mês anterior e o dia 25 do mês de referência.