EUA podem rever relação com OTAN após divergências sobre Irã, diz Marco Rubio
Secretário de Estado dos EUA critica postura de aliados e aponta possível reavaliação do vínculo com a aliança militar, após Espanha restringir apoio em operação contra o Irã.
Washington deve reexaminar as suas relações com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em razão da posição da aliança sobre o Irão, afirmou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em entrevista ao canal Al Jazeera.
No dia anterior, veículos espanhóis noticiaram que Madri fechou seu espaço aéreo para aviões envolvidos na operação militar dos EUA contra o Irã. No entanto, foi destacado que, em situações de emergência, voos ou pousos dessas aeronaves deveriam ser consideradas.
Questionado por um jornalista da Al Jazeera se a postura dos aliados da OTAN poderia ser considerada uma traição aos Estados Unidos em um momento crítico, Rubio classificou a atitude como decepcionante e disse que os EUA teriam que reconsiderar essas relações ao ponto da operação no Irã.
Rubio ressaltou que a OTAN traz benefícios para Washington, especialmente pelo direito de utilizar bases da Aliança Atlântica para deslocar armamentos em regiões onde os próprios EUA não podem manter bases permanentes, inclusive na Europa.
O secretário informou, porém, que alguns países da aliança, como a Espanha, negaram o uso do seu espaço aéreo pelas forças norte-americanas e ainda se vangloriam disso, mesmo sendo defendidos pelos próprios EUA.
"Se a OTAN serve apenas para defender a Europa em caso de ataque, mas nega aos EUA o direito de usar bases militares quando necessário, não é um bom acordo. É difícil sustentar que isso seja vantajoso para os Estados Unidos. Portanto, tudo isso precisa ser reexaminado", concluiu Rubio.
No início de março, autoridades espanholas condenaram as ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, alegando que tais transações não se alinhavam ao direito internacional.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Madri com medidas econômicas, incluindo uma possível ruptura das relações comerciais. Além disso, a Casa Branca passou a revisar a presença militar norte-americana na Espanha, em razão da relutância de Madri em apoiar a operação dos EUA contra o Irã.