SP lança pacote para enfrentar violência contra a mulher em meio a recorde de feminicídios
Estado de São Paulo registra aumento histórico de feminicídios e anuncia novas ações para prevenção, apoio e proteção às vítimas.
O Estado de São Paulo registrou 55 feminicídios nos dois primeiros meses deste ano, o equivalente a quase um caso por dia – cerca de um a cada 25 horas. Trata-se do maior índice para o período desde 2018, quando a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) passou a contabilizar esse tipo de crime em suas estatísticas mensais.
Os dados confirmam a persistência da violência contra as mulheres no território paulista: com 266 ocorrências registradas em 2025, o Estado atingiu o maior patamar da série histórica de feminicídios em um único ano.
Diante desse cenário, o governo de São Paulo anunciou, nesta segunda-feira (30), no Palácio dos Bandeirantes, um conjunto de medidas para conter a escalada da violência e ampliar as políticas públicas de proteção às vítimas.
Entre as iniciativas, está a criação do "Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher", que envolverá nove secretarias e o sistema de Justiça na articulação de ações preventivas.
O plano organiza as estratégias em três níveis de prevenção: primária (ações educativas e culturais, capacitação de profissionais, campanhas de conscientização e inclusão do tema nas escolas), secundária (ampliação de Delegacias de Defesa da Mulher, atendimento especializado, uso de tecnologia e monitoramento de agressores) e terciária (promoção da autonomia feminina, acesso ao trabalho e renda, além de suporte a filhos de vítimas).
Outra medida é a oferta de atendimentos itinerantes, por meio de carretas interdisciplinares que percorrerão municípios, promovendo acolhimento psicológico e assistencial, orientações jurídicas, registro de ocorrências e encaminhamento de pedidos de medidas protetivas à Justiça, quando necessário.
O pacote também prevê assistência a filhos, filhas e familiares de mulheres vítimas de feminicídio. A nova diretriz estabelece que crianças e adolescentes órfãos sejam acolhidos institucionalmente pelo programa SuperAção, enquanto familiares poderão receber apoio financeiro do Estado, conforme critérios definidos.
Além disso, o governo planeja reclassificar nove Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), promovendo algumas unidades à 1ª classe – em Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Ribeirão Pires e Valinhos – e outras à 2ª classe, como Jaboticabal, Bastos, Monte Aprazível, Jacupiranga e Pereira Barreto.
Segundo a gestão estadual, a medida permitirá ampliar equipes, melhorar as condições de trabalho e aumentar a capacidade de resposta das DDMs, especialmente na solicitação de medidas protetivas. Nos próximos quatro meses, está prevista a criação de 69 novas salas nas DDMs, sendo nove na capital e 60 no interior.
Outro destaque do pacote é o programa "Conversa de Homem: Diálogos pelo Fim da Violência contra a Mulher", que irá formar profissionais para atuar com grupos reflexivos masculinos, abordando temas como gênero, paternidade e prevenção da violência.
O governador Tarcísio de Freitas reforçou que a "defesa da mulher é prioridade" em seu governo, citando a criação da inédita Secretaria de Políticas para a Mulher.
“O enfrentamento à violência contra as mulheres ganha ainda mais força quando as diversas instâncias do poder público se unem”, afirmou o governador, mencionando a colaboração entre Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública. “Que bom que alcançamos essa maturidade institucional”, concluiu.