Monotrilho até o Aeroporto de Congonhas será inaugurado nesta terça; saiba como vai funcionar
O monotrilho da Linha 17-Ouro, que liga o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, será inaugurado nesta terça-feira, 31. A obra busca resolver um gargalo histórico de mobilidade na capital paulista, ao criar uma conexão rápida com o terminal de voos.
A expansão da rede de transporte sobre trilhos tem sido apontada por especialistas como uma demanda diante da piora do trânsito e do impacto da poluição causada pelos carros, o que agrava a crise climática.
O monotrilho vai conectar Congonhas às linhas 5-Lilás (na Estação Campo Belo) e 9-Esmeralda (Morumbi). A Linha 17 será inaugurada com sete estações: Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi.
Inicialmente, a operação será parcial, com horários limitados e intervalo maior entre trens. Por enquanto, o monotrilho não vai abrir aos fins de semana. O transporte vai funcionar, neste primeiro momento, das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira – inclusive, na Sexta-Feira Santa.
Quando atingir a operação plena, a expectativa é de transporte de 93 mil passageiros por dia. Inicialmente, não haverá cobrança de bilhete. Depois, o valor será de R$ 5,40, como nas demais linhas do metrô.
Obra sai do papel após atrasos
A obra sai do papel treze anos após o prazo prometido para entrega. Previsto originalmente para chegar até o Estádio do Morumbi e a Estação Jabaquara, o monotrilho irá do aeroporto até a Estação Morumbi da CPTM.
Originalmente, o monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010, como uma das obras para a Copa do Mundo de 2014. A previsão era de construir 18 estações entre Congonhas e o Estádio do Morumbi para facilitar a trajetória de torcedores e turistas.
Depois, a organização da Copa trocou o Morumbi pelo estádio do Corinthians, em Itaquera, para receber as partidas de futebol. As obras transferidas de financiamento federal e, após 2014, as construtoras responsáveis ainda foram atingidas pela Operação Lava Jato.
O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as construtoras em 2016. A obra parou por anos, e o impacto da Lava Jato no setor dificultou uma nova contratação.
A obra só foi retomada em 2020 e, ainda assim, passou por novas trocas de empresas e paralisações. “Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios”, disse ao Estadão Roberto Rodrigues, diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô.
Já a equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, diz que o prazo foi estipulado ouvindo o mercado e que a Lava Jato impactou as condições financeiras do setor. Alckmin (PSB) é hoje vice-presidente da República.
Em 2010, o projeto de 18 estações foi orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação), que seria dividido entre os governos federal, estadual e municipal.
O custo total dessa primeira etapa da obra, que será entregue nesta terça-feira, ficou em R$ 5,97 bilhões. Conforme o governo do Estado, o valor atual das estruturas inclui que atenderão a linha e despesas dos contratos paralisados.
Plano de mais dez estações
A Estação Congonhas fica do outro lado da Avenida Washington Luís em relação ao aeroporto. Para que os passageiros não precisem atravessar a faixa de pedestres, foi construído um túnel que dá acesso à entrada do terminal de voos.
O Metrô afirma que ainda há intenção de construir as outras dez paradas, completando o trecho até as estações São Paulo-Morumbi, da Linha 4, de um lado, e até o Jabaquara, da 1-Azul, do outro.
O governo prevê contratar ainda neste ano o projeto técnico para quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A expectativa é de iniciar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031.
Diferentemente do transporte enterrado (construído sob a terra), o monotrilho circula sobre vigas a 15 metros de altura. Ele não se locomove sobre trilhos de ferro (que não existem no metrô e na CPTM), mas sobre pneus de borracha, que se apoiam nas vigas de concreto. É dessa viga única que surgiu o nome monotrilho (único trilho).
Segunda linha de monotrilho da cidade
A linha será a segunda no Estado com tecnologia de monotrilho. A primeira foi a 15-Prata, na zona leste, inaugurada em 2014. O modal consiste em um trem com tração elétrica, sustentado por pneus, que se desloca sobre uma viga de concreto, com rodas laterais para estabilização.
Os dois monotrilhos têm trens de marcas diferentes: o de 15 é da canadense Bombardier e da francesa Alstom, que estão no mercado há anos. Já as composições de 17 foram fornecidas pela chinesa BYD - o primeiro projeto de monotrilho da montadora fora da China.
Os trens da 17 são menores, com cerca de 60 metros. Já os da Linha Prata medem aproximadamente 90 metros - um metrô convencional, por outro lado, tem em torno de 130 metros. A capacidade máxima do trem do monotrilho de Congonhas é de 616 passageiros.
O monotrilho 15-Prata, da zona leste, chegou a registrar falhas nos últimos anos, como complicações entre trens e queda de peças de concreto na rua. Segundo o Metrô, ambos os monotrilhos são seguros.
“O aprendizado de uma linha sempre é levado para outra”, afirma Rodrigues, diretor do Metrô. "São projetos diferentes, de contratações diferentes, de fornecedores diferentes."
Uma das mudanças foi na tecnologia de suspensão. O novo sistema de amortecimento com bolsas de ar promete mais importantes, já que uma das principais reclamações sobre o monotrilho da zona leste era a trepidação.
“O trem da 15 chacoalhava muito, por um problema na via e pelo tipo de suspensão dos trens. Nossa suspensão dá uma estabilidade melhor”, diz Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD Skyrail.