ECONOMIA GLOBAL

Escalada de preços por guerra no Oriente Médio chega ao Brasil no 2º semestre, diz economista

Conflito no Irã pode elevar custos de alimentos e insumos agrícolas, pressionando inflação e cenário político brasileiro em 2026.

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/03/2026 às 22:01
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os efeitos do conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, devem impactar o Brasil já no segundo semestre deste ano. O aumento dos preços pode ser sentido tanto nos custos do frete e transporte de commodities quanto nos insumos essenciais para a agricultura, com reflexos diretos no bolso do consumidor e no cenário político das eleições presidenciais de 2026.

Para tentar mitigar esses impactos — somados às tarifas comerciais ainda vigentes impostas pelos Estados Unidos —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma medida provisória que libera linhas de crédito de R$ 15 bilhões no âmbito do Plano Brasil Soberano. O objetivo é apoiar exportadoras e empresas estratégicas para o balanço comercial afetadas pelo cenário externo.

Segundo o professor Vinícius Vieira, as medidas anunciadas são insuficientes para conter a pressão inflacionária. "O Brasil precisa mobilizar a Petrobras para segurar o preço do petróleo", afirma. Vieira também ressalta a importância de ampliar o apoio aos pequenos produtores do agronegócio, especialmente no acesso a fertilizantes.

Diante desse cenário, os impactos tendem a ser indiretos, mas significativos, principalmente em um país altamente dependente de importações de fertilizantes. Vieira alerta que a inflação de alimentos deve ganhar força caso o conflito se prolongue, o que pode gerar reflexos políticos relevantes. "O problema para o governo é grave, pois os aumentos devem ser sentidos sobretudo no segundo semestre. Alimentos tendem a ficar mais escassos, gerando descontentamento entre os eleitores", conclui o especialista.