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Mídia: corretor de Peter Hegseth tentou comprar empresas de defesa do Irã antes de ataque dos EUA

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/03/2026 às 22:06
© AP Photo / Alex Brandon

Um corretor de Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, tentou viabilizar um investimento de grande porte em empresas iranianas do setor de defesa pouco antes da ofensiva militar conjunta entre EUA e Israel contra o Irã, informou nesta segunda-feira (30) um jornal britânico.

Segundo o Financial Times, citando fontes familiarizadas com o assunto, o corretor, vinculado ao banco Morgan Stanley, procurou a BlackRock em fevereiro com a intenção de aplicar vários milhões de dólares no ETF Defense Industrials Active, pouco antes do início das ações militares contra Teerã.

A abordagem, feita em nome de um cliente de alto perfil, acabou sendo destacada internamente dentro da gestora. Segundo a mídia, nem a BlackRock nem o Morgan Stanley, tampouco o Pentágono, quiseram comentar o episódio.

O fundo em questão, identificado sob o ticker IDEF (iShares Defense Industrials Active ETF) — um fundo negociado em bolsa administrado pela BlackRock, voltado à aplicação em companhias ligadas aos setores de defesa e segurança —, com cerca de US$ 3,2 bilhões (R$ 16,85 bilhões) em ativos, segundo a BlackRock, tem como estratégia aproveitar oportunidades em companhias que tendem a se beneficiar do aumento dos gastos governamentais em defesa e segurança, um cenário impulsionado por tensões geopolíticas e rivalidades econômicas crescentes.

Entre suas principais posições estão gigantes do setor como RTX, Lockheed Martin, Northrop Grumman e a empresa de tecnologia Palantir, todas com forte relação contratual com o Departamento de Defesa dos EUA.

Ainda conforme o jornal, a tentativa de investimento não chegou a se concretizar. Isso porque o ETF, lançado no ano anterior, ainda não estava disponível para clientes da Morgan Stanley no momento da negociação. Não há confirmação se posteriormente foi escolhida alguma alternativa semelhante para realizar o aporte.

Os ETFs, de modo geral, são bastante populares entre investidores individuais por oferecerem custos mais baixos, vantagens fiscais e maior agilidade nas negociações em comparação aos fundos tradicionais. No caso do IDEF, listado na Nasdaq, o desempenho recente mostra valorização de cerca de 28% no período de um ano, embora tenha registrado queda próxima de 13% no último mês, mesmo em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio.

O episódio levanta questionamentos, já que Hegseth figura entre os principais articuladores da política de guerra contra o Irã e foi um dos defensores mais enfáticos da ofensiva durante o governo de Donald Trump.

O secretário foi apontado pelo próprio Trump como o primeiro integrante de seu círculo de segurança nacional a defender uma ação militar contra o Irã, reforçando seu protagonismo nas decisões relacionadas ao conflito. O fato de uma tentativa de investimento no setor de defesa iraniano ter ocorrido enquanto o próprio Pentágono se preparava para uma campanha militar de grande escala tende a alimentar controvérsias.

O contexto é ainda mais sensível porque analistas de Wall Street vêm observando atentamente movimentações financeiras realizadas antes de decisões estratégicas do governo Trump, especialmente em setores diretamente impactados por ações militares.

Conforme traz a mídia britânica, antes de assumir o cargo, Hegseth também teve rendimentos expressivos. Durante sua atuação na Fox News, ele recebeu cerca de US$ 4,6 milhões (R$ 24,22 milhões) entre 2022 e 2024. Além disso, obteve aproximadamente US$ 500 mil (cerca R$ 2,6 milhões) em adiantamentos por livros, royalties que variaram entre US$ 100 mil (R$ 527 mil), US$ 1 milhão (R$ 5,27 milhões) por obra e quase US$ 900 mil (R$ 4,73 milhões) em palestras. Já em sua declaração patrimonial mais recente, divulgada em junho de 2025, consta a venda de participações em 29 empresas diferentes, com valores individuais entre US$ 1.001 (aproximadamente R$ 5,27 mil) e US$ 50 mil (R$ 263,2 mil).