Crise no Oriente Médio eleva custos de importação de combustível da UE em €13 bilhões
Conflito e bloqueio no estreito de Ormuz aumentam pressão sobre setores industriais e inflação europeia
Após um mês de confrontos, o conflito no Oriente Médio já resultou em bilhões de euros em custos adicionais para a União Europeia (UE) com a importação de energia, segundo informou o portal Euractiv nesta segunda-feira (30), com base em um documento diplomático confidencial.
Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã provocaram o fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) provenientes do golfo Pérsico. Em resposta, Teerã passou a atacar países estratégicos no setor energético, como Arábia Saudita e Catar, que abrigam bases militares norte-americanas.
"No total, apenas 28 dias de confronto já aumentaram os gastos da UE com importação de combustíveis fósseis em 13 bilhões de euros [R$ 78,3 bilhões]", aponta o comunicado enviado por Bruxelas aos países do bloco antes de uma reunião virtual de ministros da Energia, prevista para a próxima terça-feira (31).
Na última semana, a agência Bloomberg informou que a crise energética desencadeada pela guerra já começou a afetar setores da economia europeia que dependem fortemente de energia.
De acordo com a publicação, as consequências do conflito exercem pressão sobre indústrias europeias de alto consumo energético, como a indústria química alemã. Além disso, cresce o risco de que o impacto se estenda a um público mais amplo, à medida que a renda da população diminui.
"Os efeitos econômicos da guerra com o Irã são sentidos na Europa, onde a desaceleração do crescimento econômico e a aceleração da inflação podem agravar as pressões industriais, orçamentárias e políticas em toda a região", destacou o texto.
Em especial, a indústria química alemã, já afetada pelo aumento dos preços em 2022, alertou para a redução dos volumes de produção devido à escassez de energia, situação explicada pelo fechamento do estreito de Ormuz.
"A produção na maior fábrica de amônia do país, a SKW Stickstoffwerke Piesteritz GmbH, foi reduzida ao mínimo técnico de 85%, enquanto a Evonik Industries, fabricante de especialidades químicas, ainda avalia os prejuízos potenciais", relata o artigo.
Ao mesmo tempo, outras empresas europeias também alertam para as consequências econômicas do conflito. A companhia de transporte de contêineres Hapag-Lloyd AG enfrenta custos semanais adicionais de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões (R$ 209 milhões a R$ 262 milhões), relacionados a combustíveis, seguros e armazenamento.